terça-feira, janeiro 02, 2007

BAGULHOS RECADASTRADOS

Foi em 2001.

Mexendo nos "bagulhos" com a pretensão, e ficou só na pretensão, de arruma-los, achei este desabafo na forma de texto que enviei à Receira Federal no dia 21 de Janeiro daquela data.

Srs.

Todo o ano faço a minha declaração de renda, como é obrigatório

Em uma consulta ao meu número do CPF, fui surpreendido por me encontrar na situação de “PENDÊNCIA DE REGULALIZAÇÃO”.

Pois venho, agora apresentar a minha revolta devida a esta situação causada por burocratas preguiçosos que por suas ineficiências a todo o momento criam novos cadastramentos, recadastramentos, re.. re.. recadastramentos, de CPF’s e outros documentos obrigando a nós cidadãos ao trabalho que deve ser de vocês.

Se querem ir atrás de sonegadores e criminosos? O façam, é a sua obrigação, mas não nos atormentem com suas “brilhantes idéias”.

No momento dificil que o país passa em que a riqueza produzida pela população é desviada por políticos profissionais que acreditam que nós brasileiros existimos e vivemos para sustentá-los em suas vidas infames, sugando a riqueza que não é deles..

Meu tempo é precioso, devo por obrigação a minha família gastá-lo no que é necessário para a minha recuperação; não tenho tempo para perder com vocês...

Fica meu protesto pela sua ineficiência e desmando.

De um brasileiro com ideais liberais, temente a Deus e as Leis e que ainda quer acreditar nas instituições.

Luiz Alberto Mezzomo

Rg ...etc

Numa nova consulta depois que enviei a mensagem acima, meu nome não constava mais na categoria "PENDÊNCIA DE REGULALIZAÇÃO".

Pois que em 2007 seja o ano do recadastramento, apenas da Felicidade.
E que a arrumação dos bagulhos não fique só na pretensão.


terça-feira, dezembro 19, 2006

OS INTERESSES DOS POLÍTICOS NÃO SÃO OS MEUS INTERESSES

Os políticos (executivo e legislativo) querem dar esmolas: a bolsa família, o vale transporte gratuito para idosos, etc.

Eu quero que o cidadão compre o seu alimento, a sua casa, a sua roupa, sua passagem de ônibus, de avião, com o seu próprio dinheiro oriundo do seu trabalho digno e rentável.

Os políticos querem o Brasil líder das nações pobres e dos infelizes.
Eu quero o Brasil uma Nação justa, respeitada por todos e por todos, invejado.

Os políticos querem o um povo subserviente.
Eu quero um povo livre.

Os políticos querem o que as filas do SUS sejam menores. Não terminar com elas.
Eu quero que a Saúde Pública seja uniformemente distribuída a todos. Até porque, eu quero que o salário dê condições melhores para o cidadão se tratar.

Os líderes dos políticos são: o fidel, o chaves, o morales, o zapatero, o ulisses guimarães, etc.
Eu quero o Brasil líder mundial: na educação, na cultura, na tecnologia, na arte...

Os políticos querem o pagode...
Eu quero musica.

Os políticos querem o monopólio do futebol com suas torcidas organizadas.
Eu quero o livro, e também a natação, o vôlei, o tênis, o futebol, os esportes olímpicos. E é claro, que o torcedor possa ir aos estádios de futebol com a sua família.

Os políticos querem os meus filhos.
Eu quero que eles sejam educados pela família.

Os mártires dos políticos morreram roubando e assassinando. E eles querem que eu os venere nos altares de minha Igreja.
Eu oro a Deus e prezo os verdadeiros Mártires e os verdadeiros Santos da Igreja

Os políticos gostam e adotaram o método dos “coronéis” da política.
Eu quero o voto livre e soberano

Os políticos querem o voto obrigatório.
Eu quero o voto voluntário

Os políticos querem o voto do analfabeto.
Eu quero que todos sejam alfabetizados.

Os políticos querem leis, mais leis, muitas leis, tantas quantas possíveis.
Eu quero liberdade de expressão, de iniciativa, da manifestação pacifica sem os nós das leis.

Os políticos querem impor o seu “SALVADOR DA PATRIA” Um ditador.
Eu quero um país de lideres capazes e de um povo brioso.

Os políticos querem o o PT, o PMDB, o PSCB, o PSOL, o PC, o PC do B, o PSTU, etc.
Eu quero o BRASIL!

(esta lista não termina)


sábado, outubro 07, 2006

XENOFOBIA.

Xenofobia burra. Um pleonasmo?
Se a aversão aos estrangeiros serve para acobertar e disfarçar deficiências dos governantes. Sim.

No acidente do avião da Gol, antes mesmo de qualquer análise mais concreta e de melhores informações sobre as causas do acidente, algumas autoridades e parte da imprensa passaram a anunciar a culpa dos pilotos do avião fabricado pela Embraer (orgulhosamente brasileira), o Legacy, pela única razão de serem cidadãos norte-americanos. Na precipitação calculada, estão as autoridades e seus colaboradores a cometer o crime de que acusam os pilotos estrangeiros: A condução da investigação é irresponsável e imoral uma vez que tenta se aproveitar das 154 vitimas para uma apologia ideológica.

Por outro lado, numa comparação com as nossas estradas rodoviárias, as ferroviárias, os portos, os hospitais, as escolas, todos abandonados ao ponto da inutilidade funcional; quem garante que os equipamentos do sistema de controle de vôo não se encontram, também em estado precário? Afinal a denuncia das péssimas condições de trabalho dos controladores de vôo, não foi feita pelos solertes agentes da CIA, não foi do xerife de Brazil, (do condado de Indiana USA), não foi dos hedonistas, dos materialistas, egoístas e torpes trezentos milhões de cidadãos norte-americanos.
Foram os próprios controladores brasileiros os autores da denuncia.

Responsabilizar os outros, se estrangeiros melhor é a maneira que a ideologia socialista encontra para camuflar as tragédias provocadas pela sua incapacidade de governar. Milhares de mortos anualmente, nas estradas, nos hospitais, etc. Ninguém responsabilisa ninguém. A solução que encontram é:
– Não sabemos de nada.
– Não vimos nada.
Acusam quem não "reza" pela cartilha (eles sempre acusam)...
E junto a tantas mentiras, o pior: a população acabou por perder a noção e, como zumbi, passou a acreditar em qualquer embuste.

Igual ao avestruz preferimos enfiar a cabeça na lama da xenofobia.

sábado, setembro 23, 2006

O AVENTUREIRO DE ILUSION - 6 FINAL

O BEBÊ INFRATOR

Para entender os acontecimentos a seguir, cabe registrar que Augusta vinha sendo investigada e vigiada pela policia a algum tempo. O costume que ela tinha, de andar com os vidros do carro abertos e o seu descuido ao carregar as suas bolsas, conflitavam com as novas normas de segurança, e passaram a configurar como pré-crime. No intuito de combater a onda de crimes sociais, as autoridades resolveram ir ao âmago do problema. Determinaram aos seus comandados para mudarem os procedimentos; passando de agora em diante a contar estatisticamente e a vigiar os cidadãos que induzem os assaltantes, na nova visão da República Social, as vítimas, ao assalto e ao roubo. É fácil entender esta decisão. O cidadão que possuir bens já constitui uma ameaça ao Estado. Soma-se a isto, o fato dele fazer demonstração publica da posse, insultando desta forma os agentes sociais, como são denominados os bandidos na nova Republica Social. Assim um motorista que, enquanto dirige, mantiver os vidros abertos, evidentemente passa a ser um agente provocador e facilitador do crime: ele tem a posse do bem desejado pelo agente social e ainda o insultou, mantendo os vidros do seu veículo abertos expondo a posse do patrimônio. Pelo uso da bolsa da Augusta, o mesmo motivo. Uma mulher que não cuida da sua própria bolsa, caracteriza a mesma agressão social. O bandido, nesta nova era, passa a ter outra função na sociedade. Ele é um agente distribuidor de riquezas. Entender este ponto de vista, é um pouco complicado para quem não está “aculturado” com a nova era. Esta nova sistemática de policiamento tem como vantagem marginal a possibilidade dos chefes e autoridades de segurança comparecer aos programas de televisão e entrevistas para jornais, propagar suas novas diretivas e mostrar à sociedade as verdadeiras faces do crime.

Antes de retornar aos infortúnios do Pedro Mauro, um comentário sobre as vicissitudes da vida. É sabido, pelos técnicos especializados em catástrofes, que acidentes são precedido por uma série de fatores fatídicos alguns aleatórios, outros não; uma seqüência prévia de incidentes e acidentes, erros de avaliação e até fatores externos não administráveis, acabam culminando no desastre.

Dr Jacinto é muito cônscio da sua profissão. De tempos em tempos ele faz uma pesquisa sobre a situação jurídica de seus clientes. Numa destas pesquisas, o nome do Pedro Mauro apareceu como responsável pai do Gastão. Afinal é o pai e o Estado esta movendo uma ação contra o bebe Gastão.

Pela decisão do “guardião da nova era Republicana”, equivalente ao cargo de Ministro da Justiça, no nosso país, o bebê deveria ser afastado dos pais, para “descontaminação do vírus anti-republicano’. Gastão foi enquadrado na lei do menor, no artigo do “recém-nascido infrator”. Sendo ele filho de pai empresário e de mãe envolvida na problemática do comportamento social, responde por este crime, cuja pena é o afastamento da influência dos pais. No novo conceito, todos os adolescentes infratores entre quinze e dezoito anos não serão mais submetidos a infrações, uma vez que tornaram-se Agentes Sociais, da mesma forma que os criminosos maiores de idade. Foram soltos e os reformatórios e casas de apoio que lhes eram destinados passaram a servir de Creches para Recém Nascidos Infratores.

O envolvimento de Gastão com o crime que teve inicio, quando sua mãe, Augusta foi flagrada dirigindo com o vidro do carro aberto e logo depois de caminhar sem prestar a menor atenção com a sua bolsa, foi agravado pelo fato de ser filho de um empresário; Pedro Mauro, agora conhecido nos porões do regime da nova era como um perturbador da estabilidade social. Logo que avisados pelo do fato Dr. Jacinto, Pedro Mauro e Augusta tomaram uma decisão. Augusta pressionou. Vamos fugir do país.

Foi o último evento da série que precederia o desastre, caso não tomassem alguma atitude perderiam o filho, para a nova educação “social-republicana”. No dia seguinte ao da decisão, Pedro Mauro iniciou os preparativos para a fuga. Pagou os funcionários e fornecedores, acrescentando um valor maior que o devido. Para Gracinda a quantia foi maior, motivada pela confiança adquirida com ela, considerada como amiga da família. Teve uma participação importante no auxílio da fuga. Estas providências consumiram três dias, No quarto, Pedro Mauro convidou para um jantar, os amigos e ex-colegas de aventuras foi a senha para o plano de fuga. Durante o jantar explicou o que estava acontecendo e pediu ajuda. A idéia inicial do Pedro Mauro é a de simplesmente fugir, pegar o avião enquanto podem, antes que o braço policial do Estado alcance e efetue a prisão do Gastão.

Após muita discussão, decidem que a melhor saída, seria por via marítima. Um navio cargueiro foi o escolhido. Os aventureiros acostumados com improvisações, muitas vezes acabam conhecendo e se relacionando com pessoas de diversas atividades. Foi assim que Julio Almeida conhecia o Capitão Willian. Um Neozelandês do “Blue Sea”. Uma embarcação que faz a rota América do Sul, contorna a África pelo Cabo da Boa Esperança e segue para a Ásia, passando pela Oceania.

Um casal e seu filho recém nascido. Foi esta a informação sobre as pessoas que ele iria transportar. O nome do Pedro Mauro afastou o receio do velho marinheiro de envolver-se com trafico de crianças ou drogas. Assim que foi explicado o motivo da fuga e acertado o custo, na realidade o capitão cobrou apenas um valor para cobrir as despesas com alimentação ficou combinado à data e hora. Seria na mesma noite. O navio terminaria de receber sua carga, grãos e farelos e na madrugada, zarparia. Entre dez e onze horas da noite, o capitão estaria na proa e Pedro Mauro embarcaria pelo acesso de proa, vigiado pelo capitão. O comandante que tinha o habito de ler as notícias de jornais sobre o país em que fazia escala. Ele tem noção do mote da fuga. E este país tem sido, nos últimos tempos, muito exótico em suas decisões políticas e, mais ainda por seus mandatários. Esta era a conclusão do capitão sobre o país do Pedro Mauro.

O plano é simples. Augusta e Pedro Mauro, ainda têm alguns dias, até que a lei cumpra a exigências legais, que paradoxalmente também é vitima da besta burocrática. Ás dez horas da noite, coloca põem o plano em ação. Para despistar eventuais olhares de vizinhos que poderiam serem obrigados a delatar os movimentos da família em eventuais depoimentos, se chamados pelas autoridades da Republica Social. Assim resolvem montar uma pequena farsa. Enquanto os demais companheiros do grupo e mais um casal com uma criança, simularão Augusta, Pedro Mauro e o filho. Os falsos, saem como se fossem á praia; Um sarau noturno na praia. Augusta, Pedro Mauro e a criança, os verdadeiros e mais o amigo Juca, como motorista, saem logo após pela porta dos fundos e entram numa van de entrega de água mineral, proprietário de um do grupo, e se dirigiram ao porto, ao Blue Sea, o navio da fuga. Destino final Samoa.

No caminho ao porto, a cabeça do Pedro Mauro era um turbilhão. Não é fácil à uma pessoa, do feitio dele aceitar uma derrota. Um sepulcral silêncio os acompanhou até a chegada ao porto. Neste exato momento, ele vira-se para Augusta e falou:

—Não quero fugir. Vamos lutar!

—C...como? A única palavra que ela conseguiu pronunciar.

Tenho um plano. E pede para que ela confie nele.


Juca, que ouviu tudo, aprovou silenciosamente e não poderia ser diferente.

Chegam ao navio, mais só descem Pedro Paulo e Juca. Depois de uma rápida explicação e do pagamento pelas eventuais despesas, ao capitão Blue Sea, eles retornam a van. Ao chegarem ao local na praia onde os demais os esperavam, explicaram novamente o novo plano. Logo contestado por Joaquim, um dos participantes.

—Se você vai mesmo fazer isto, faça de forma definitiva. Diz o Joaquim.

—Um simples desaparecimento, faria que fossem procurar vocês e localizar-los. Não devemos arriscar.

—E o que você sugere. Perguntou Augusta.

—Deve “parecer” um seqüestro e se possível com a morte de vocês três. Sentenciou Joaquim. — Mas não um seqüestro corriqueiro, como estes que acontecem todos os dias. Minha idéia é que vocês devem sumir por completo.

—Mas não queremos ir embora. Por isto desistimos da viagem. Augusta, muito interessada no seu futuro.

—Acho que um passeio pela selva seria de bom tamanho. Só que não voltaram mais como Pedro Mauro e Augusta. Voltam com novas identidades. Sei quem pode fazer novos documentos para vocês.

Mais discussões, desta vez menos calorosa. Parece haver entre os amigos do casal uma unanimidade. Decidido o que fazer é a hora de executar. Todos retornam à casa, muitas coisas a serem feitas.

No dia seguinte, Pedro Mauro prepara duas mochilas: uma com as roupas dos eminentes degredados e mais alguns documentos. A outra com roupas novas, arranjadas pelo grupo, roupas usadas, para não levantarem suspeitas. Um exame por algum fiscal mais experto poderia incriminá-los. Afinal a idéia é retornarem desconhecidos e sem chamarem a atenção. Joaquim, que se revela um grande conspirador, concorda em continuar na ventura. Joaquim conhece um português, também aventureiro, mas com uma habilidade além a mais, além da exploração de trilhas. Ele tem uma boa aptidão em materializar documentos. Não foram poucos os grupos de exploradores, salvos pelos documentos milagrosamente providenciados em meio a um tumulto e até no meio de guerras civis. Muitas vezes os ocidentais não são bem vistos por determinadas doutrinas e o ambiente de guerra, é muito propicio para dar vazão aos recalques dos nativos. Um documento de identidade trocando a nacionalidade pode ser providencial nestes momentos. É onde entra o Rubens Pena, conhecido apenas como o “português oficial”.

O plano consiste numa viagem para pescaria de lazer no Rio do Escuro. Sabe-se que os ribeirinhos costumam pescar alis, mas não é comum alguém subir o rio para uma pescaria esportiva, principalmente levando seu filho recém nascido.

Depois de contatar o “português-oficial”, ficou com o Joaquim, também a tarefa de juntamente outros dois, irem até a Bolivariana. Bolivariana faz fronteira ao norte com o país do Pedro Mauro, e é a nascente rio Escuro. De lá, eles descem o rio até o ponto onde Pedro Mauro e sua família estaria esperando.

Joaquim convocou dois amigos que dão apoio nas viagens de Joaquim pelo mundo; Marco e Valêncio e pegaram o avião com destino à Bolivariana, onde compraram um barco, destes de borracha, com capacidade de quatro lugares. No dia seguinte se dirigiram até a fronteira, local onde o rio Escuro, ainda dentro do território bolivanense, já é navegável. Colocaram o barco na água e desceram o rio, chegando no local combinado meio dia antes, da chegada do Pedro e família.

Pedro chegou a Castanhal, uma cidade as margens do rio no mesmo dia que Joaquim chegou em Boliviana. Numa clareira entre Castanhal e Ribeirão, encontrou Maximiliano, um fazendeiro, velho conhecido de outras excursões e detalhou o que já havia antecipado por telefone. Ficou acertado que voltariam a se encontrar numa clareira entre Castanhal e Ribeirão, uns cinco quilômetros depois de Ribeirão, descendo o rio. Foi indicação do próprio Maximiliano, conhecedor do lugar.

—Quando estiverem voltando, meia hora, depois de passarem por Ribeirão, fiquem de olhos abertos e atentos para a margem a esquerda. Vou acampar ali e deixarei uma lâmpada acessa, acionada a bateria perto da margem do rio, Não tem como vocês não a verem. Estarei ali a partir na noite do segundo dia, a partir de hoje ficou assim estabelecido por Maximiliano. Combinado o encontro da volta, deixaram Maximiliano e alugaram um jipe. Pedro Mauro comprou o material para pesca e dirigiu até a vila Ribeirão do Escuro, o ponto zero. A viagem entre a cidade e a vila levou duas horas. Chegando em Ribeirão do Escuro, não se preocupam em com dissimular suas presenças. Durante o dia passeiam pela pequena vila, mostram-se a todos, compram algumas iscas para pescaria e não esconderam, nada, dos seus intentos. O que chamou a atenção dos ribeirinhos foi o fato de gente do sul, subir o rio com uma criança, num bote alugado, para pescar.

No dia seguinte, cedo, Pedro Mauro e Augusta alugam um barco, como haviam combinado na tarde anterior e rumam rio acima. Chegando do local planejado, já no anoitecer. A criança muito chorosa, pela agitação da viagem, mesmo herdando a genética do pai. Cumprimentam e agradecem ao Joaquim e os dois companheiros que já haviam acendido o fogo e preparado a refeição, e decidem descansar e acalmar a criança. Augusta da mesma forma sente a penalidade imposta pelo sacrifício da viagem, mas a atenção ao filho é maior afinal é mãe, antes de médica. Tinha se prevenido com alguns reforços alimentares e vitaminas para ela e para o filho.

Antes de deitar, Pedro Mauro observa a criança e a mulher, os dois conseguiram dormir, bem como os demais companheiros. Cansado, mesmo assim ele não consegue dormir; sente-se intranqüilo, o que imagina ser devido ao cansaço. De repente, como uma faísca elétrica nos neurônios, se da conta que desta vez, está acampado no meio da selva, não por vontade própria, numa expedição ou no auxilio de alguma exploração científica. Desta fez não. Está em meio a uma fuga e, pior, levando consigo o filho e Augusta. Ele os colocou nesta situação. Nem mesmo o fato que Augusta, também ser vítima de perseguições; ele se culpa. Vai procurar nas suas memórias algo para confortá-lo, e nada. Seus pensamentos correm para Deus; mas a realidade é que se impõem, Consegue lembrar que viveu o tempo suficiente em meio a natureza, para saber que ela guarda uma triste verdade. A beleza, quando olhada a distância; bonitas paisagens, faunas e floras magníficas. Mas quando se olha de perto, a natureza mostra sua terrível particularidade: A lei da sobrevivência, a cadeia alimentar. Quem já teve a oportunidade de ver um pequeno animal acuado, sabe o que é viver sobre constante medo, pavor. E quando consegue escapar da fúria do caçador, permanece em contínua tensão. Isto não é instinto. Isto é a compreensão da vida no seu mais profundo pavor. Isto é emoção. É o medo. Pedro Mauro, não chora. Não porque isto seja coisa de fracos, ele não chora, por que não sabe. Não tem acolhida em Deus. Uma dura noite. Pensa nos últimos acontecimentos e descobre que os inimigos, que nem sabia de suas existência, agora os têm. Nas altas horas da noite, em meio a selva e deitado em seu “saco de dormir”, ele ouve os ruídos característicos da mata e dos pensamentos. Compreendeu tardiamente:

O “que diabos”, o senhor Armando, o contador quis lhe dizer, quando da primeira conversa para formalizar a loja.

Ao amanhecer depois de um café reforçado, preparam o barco, tiram da sacola, algumas das peças de roupas preparadas com esta finalidade e as espalharam no interior do barco e na margem do rio, além de alguns documentos. Como se tivessem sido remexidos a procura de algo.

Terminada montagem da cena de despiste, Joaquim entrega os novos documentos, confeccionados pelo “português oficial” e que apanhou numa escala, na mesma viagem ao Bolivariana. Pedro Mauro, Augusta e a criança, agora, têm nova identidade. Roberto, Marina e o pequeno José, novas identidades, nova vida.

Embarcam no barco que o Joaquim, e seus companheiros alugaram em Bolivariana, deixando o barco da encenação como parte do palco do ato da última cena da família do Pedro Mauro como cidadãos, simulando um vil seqüestro Iniciam a descida do rio, levados pelo motor de popa e pela correnteza favorável. Às quatro horas da tarde, próximos da vila Ribeirão do Escuro, resolvem descer na margem oposta e acampar ali, estão a dois quilômetros acima da vila. Horas agitadas e de ansiedade, um pouco devido ao calor e umidade, outro tanto pela expectativa do final a viagem. A criança intercalou sono com choramingo. Quando chegou às dez da noite, embarcam novamente, agora levados apenas pelo sabor da correnteza, os remos sendo usados como leme, não permitindo uma aproximação demasiada às margens. Já perto da meia noite notaram as luzes da vila, a esquerda. Seriam fugazes em outros lugares, ali na mata, no entanto, marcam forte presença. Alguns minutos depois ligam o motor do barco e navegam por mais uma hora, chegam a uma nova clareira.

Chegou a hora de se despedirem do Joaquim e de MARCO E VELÊNCIO, que retornam ao barco para sua viagem de regresso, subindo o rio. Quando alcançarem a vila de Ribeirão do Escuro, pela segunda vez na noite, desligaram o motor e passaram a remar, contra a correnteza. Sem a mínima intenção de chamar a atenção com o barulho. Daí o motivo para trazer mais dois acompanhantes. Cinco quilômetros acima acionaram novamente o motor e seguiram, para uma viagem de oito horas, agora, para a fronteira não vigiada com Bolivariana. De lá Joaquim retornará ao país, de avião. Sua parte no plano foi penosa, mais completada. Daqui em diante, será o fazendeiro Maximiliano que conduzira os faragidos até Visionaria, uma cidade á dois mil quilômetros ao sul. Serão quase três dias de viagem. O lado bom: o carro do Maximiliano é uma moderna van e bem espaçosa.

Agora a segunda fase. Soar o alarme do desaparecimento e assim tirar Pedro Mauro, agora apenas Mauro e família, do foco das injustas leis do país deles. O destino dos seus bens, o que restou do estoque da loja, os móveis, tudo o que a voraz saga tributária abocanhar, será o botim que o Estado esquartejará. O que conseguiu salvar será usado para a nova vida.

—Voltemos à “mãe” natureza. Pensa Pedro Mauro.

TEMOR OU RESPEITO À LEI

O país de Pedro Mauro, agora Roberto, tem uma extensa faixa de fronteiras com outros paises. Em uma destas fronteiras, a divisa com Guaraniaçu foi construída uma ponte ligando os dois países; batizada como a Ponte Amiga. Guaraniaçu tem uma economia marcada pelo comércio de produtos de diversas nacionalidades. É através da ponte que, muitos sobreviventes do inferno estatizante do país, a cruzam com a finalidade de comprar mercadorias que, depois no retorno, serão vendidas no mercado informal. É uma atividade tão ruim para a economia nacional, como para as próprias pessoas que atuam nesta informalidade. Mas não lhes sobra alternativa; por tanto a travessia da Ponte Amiga, é a única solução. Formam-se grandes filas de ônibus, trazendo os pacoteiros; assim conhecidos os que vivem deste comércio, agora, com mais um a engrossar as fileiras deste exército.

As autoridades tributárias e de segurança fazem muito alarde contra este tipo de comércio, usam-no como prática diversionista, para tirar os verdadeiros criminosos que se utilizam desta via, para o contrabando de armas e drogas, do foco da atenção. Na maioria das vezes aprendem somente as mercadorias dos pacoteiros, quase nunca armas ou drogas das grandes quadrilhas, estas, muitas vezes com algum vínculo não muito bem explicado com as autoridades da Nova República. Mesmo assim, não diminui o volume deste comércio, ao contrario. Ele aumenta. O sistema econômico imposto pelo governo os empurra para isto. Mauro preferiu esta opção, a simplesmente fugir do país.

Pedro Mauro, quando imaginou esta opção de vida, imediatamente pensou em Gracinda. Ele sabia que não poderia atravessar a ponte, seria identificado pelas autoridades. Assim resolveu procurar a antiga secretária, para propor-lhe uma sociedade. Ela, Gracinda, atravessaria a fronteira para fazer as e providenciar o transporte da mercadoria. Roberto já tinha arquitetado o plano. Seus contatos ajudaram, pouco mais ajudaram. O convite à Gracinda foi feito onde Pedro Mauro a localizou, no velório do seu último patrão. Ele suicidou-se, depois de algumas diferenças de opiniões, ocorridas com autoridades tributárias.

Muito feliz. Gracinda aceitou a oferta. E mais uma empresa, informal tem inicio no país das leis.

Os ex-vizinhos do Café Bopulevard, Amadeu e Juarez fugiram para os Estados Unidos. Preferiram arriscar suas vidas na travessia da fronteira, pelo México. Alguns meses depois de instalados nas terras do Tio Sam, chamaram suas famílias.

O livro que Pedro Mauro pretende publicar, o será, usando de um pseudônimo. Evidente que ele não poderá assinar seu próprio nome. Assim no prefácio e de forma indireta e sub-repticiamente, ele tenta explicar sua decisão de permanecer no país. O texto não é definitivo, mesmo transmitido a mensagem pretendida, Pedro Mauro; Roberto, pretende achar um sentido menos piegas:

“Ninguém deve se deixar vencer, por concepções de Estado tão vis que coloquem “normas quaisquer” de governo, disfarçadas de leis ou de éticas sociais, acima das obrigações e, principalmente, dos direitos do individuo. Quem aprendeu a sobreviver na selva, onde a pessoa só será vencida se ela desrespeitar as leis básicas da natureza, então aprenderá a conviver com os perigos e os vencerá. Não aceitara, que as fraquezas de caráter dos mais fracos se imponham, utilizando o escudo das leis para submetê-lo”.

FIM

sábado, setembro 09, 2006

O AVENTUREIRO DE ILUSION 5 (continuação do 4)

5 COMO FUNCIONAM AS LEIS, NUMA TERRA DE LEIS.

Pedro Mauro desistiu do jornal, dispensou o jornalista e indenizou os anunciantes. No mesmo dia que, foi entregue o pedido com as mercadorias.

Enquanto descarregavam o caminhão, do nada, chega um fiscal da Receita do Estado.

—O senhor tem as nota das mercadorias?

Sim. Pedro Mauro possui todas as notas fiscais. Ele pretende obedecer todas as regras da lei. Afinal, um dos motivos de abandonar suas aventuras, não fora o cansaço dos imprevístos a que se submetia nas aventuras em terras selvagens?

—Aqui esta!

—Hummm! Haa... Um erro! Anunciou o fiscal.

—Que erro??!!

—Aquela mercadoria não consta na nota fiscal. O fabricante não a classificou. O que é? Quis saber o fiscal, sobre o produto que apontou. Eram pequenos sacos plásticos contendo a instrução para o uso dos óculos de proteção contra a luz solar. Óculos especiais contra o excesso de claridade, quando refletida por gelos ou areias, como no sol forte, na praia. Os óculos, sim. Tinham suas respectivas notas fiscais.

—Elas são partes dos óculos. Falou Pedro Mauro. São as instruções para uso. Como evitar uso indevido, ensinando a não olhar diretamente para o sol e outras instruções.

—Mas a embalagem é uma mercadoria. Sentenciou o fiscal.

—Mas não é!

—Lamento! Tenho de aprender a mercadoria. As duas. A instrução e os óculos.

—Por quê?

—O fabricante não especificou na nota, que a mercadoria vinha acompanhada da instrução. Além do que, estão fora da embalagem da mercadoria. Estão todas apreendidas.

—O que!??? Todos o duzentos óculos??

—Sim. Até o fabricante emitir nova nota com a correção, a mercadoria “fica presa na delegacia fiscal.

—Não pode ser...!? O senhor deve estar cometendo algum engano.

—Posso prendê-lo por desacato.

—Não estou desacatando o senhor, Estou defendendo meu ponto de vista.

—E então?!. Isto não é desacato?

—Não. Não é!

—O senhor está preso!

—O que!!?????

Pegando o seu telefone celular o fiscal telefona para a delegacia de policia e pede ajuda para prender o autor de tamanha desfaçatez. Nisto o Pedro Mauro, se afasta, entra no seu carro e telefona para o advogado e ao contador.

—Muito bem. Você fique calmo, ele não pode mandar te prender por tão pouco. O fiscal provavelmente vai fazer a autuação, leia bem e assine, depois venha ao meu escritório. Disse o advogado.

—Esta bem.

—Você saiu do local? Pergunta o advogado.

—Não.

—Então aceite o auto de infração.

Com o raciocínio embotado, com o que esta acontecendo, Pedro Mauro saiu do carro e dirigiu-se até o fiscal que conversava outros dois ao lado das mercadorias apreendidas.

Os fiscais agiam como se não o tivessem visto. Permaneceu um momento de indecisão, até que Pedro Mauro resolveu falar.

—Meu advogado disse para eu assinar o auto de infração.

—Ainda estamos elaborando, desconfiamos que há outras infrações, uma vez que você fugiu.

—Eu não fugi, só fui até o carro.

—Não importa, você fugiu no momento de voz de prisão, agora estamos apreendendo todas as mercadorias.

—“???????!!!!!!!!”. Pedro Mauro, ligou novamente para o advogado.

—Doutor, eles estão apreendendo tudo e disseram que estou mesmo preso.

Pouco depois chegou a viatura da policia. O policial encaminhou-se até o fiscal, que apontou o Pedro Mauro.

—É o senhor o meliante? Perguntou o policial.

—Sou. ...Não!, Não sou um meliante, não sou criminoso. Quero apenas... (profundo suspiro)

—Vamos até a delegacia.

—Espere meu advogado vai chegar logo.

— Não posso. Não tenho tempo para ficar pajeando “engravatados”. Sou pago para fazer cumprir a lei. Vamos? Ou sou obrigado a levá-lo a força.

Pedro Mauro dirigiu-se a seu carro, quando o policial intercedeu.

—Na viatura! Ordenou, apontando ao carro da policia.

Foi o tempo de Pedro Mauro avisar ao advogado para qual delegacia estava sendo levado. E lá foi Pedro Mauro. O intrépido.

Sentia-se pior do que aquela vez que ficou preso numa tribo de canibais na Oceania. Naquela oportunidade, ele conseguiu convencer os nativos, que ele era um dos deuses da tribo.

Na delegacia, foi preenchido o boletim de ocorrência, sem a presença do fiscal. Pedro Mauro recusou a assinar até que o advogado chegasse. Logo que o advogado chegou, leu o boletim, fez um protesto verbal e pediu para falar com o delegado. O delegado, um amigo, compreendeu a situação, mas não pode ajudar. O boletim o acusou de agressão contra três fiscais do Estado. E um crime contra um órgão de arrecadação do Estado, é um crime hediondo. Contra ela nem um Juiz teria poder. O delegado aconselhou a assinar o boletim e submeter-se a prisão. Evidente era um excesso. Nada havia acontecido nenhuma agressão, física, ou verbal. Já eram cinco horas da tarde e teve inicio a mais degradante experiência de Pedro Mauro: preso numa jaula, ou melhor, numa cela de cadeia. Por amizade ao advogado, o delegado o colocou isolado dos demais presos.


No dia seguinte, o advogado voltou até a delegacia e pagou a fiança, estipulada em Quinze Mil Reais, valor que o Pedro Mauro o reembolsou. Livre, aproveitou a carona do advogado, que o levou até sua casa. No caminho ele lembrou-se, com saudades de quando foi picado por aquela cobra venenosa no Sri Lanka. Sua própria providência, em amarrar um torniquete acima do lugar da picada, foi sua salvação. Terras selvagens que Pedro Mauro sabia muito bem sobreviver. A continuação dos pensamentos, não podia ser interpretada por nenhuma das línguas faladas e nem mesmo as mortas, do planeta; nenhuma forma de comunicação desenvolvida pela civilização humana conseguiria entender a barafunda em andamento, no interior de sua caixa encefálica. Uma imensa tempestade elétrica, num vazio intelectual. Se fosse possível descrever a tormento que ocorreu no interior do seu celebro, seria possível entender o enigma do caos havido na criação do Universo. Uma incompreensão; no seu mais profundo sentindo.

Antes de ir para casa, Pedro Mauro resolveu passar pela loja. Pediu à Gracinda, que ela atendesse o movimento, até ele retornar. Antes de ir para casa, respondeu a um recado do contador, que o informou o valor da multa a ser paga. Cinqüenta óculos, cada um custando trinta reais, mais o percentual do imposto estadual de 30%, mais a multa, (o dobro do percentual do imposto). Total: Dois mil e Quatrocentos Reais. Depois de algumas instruções e pedidos para Gracinda, ele pegou o seu carro e foi para casa. Augusta já o esperava. Vendo Pedro Mauro, Augusta, uma médica psiquiatra, nota os sinais dos últimos acontecimentos, evidenciados na face do namorado. Ele envelheceu dez anos, em oito meses. Augusta acabou por convencê-lo a ficar em casa, ela mesma telefona para Gracinda e avisa que Pedro Mauro não voltaria mais ao trabalho naquele dia. O que Gracinda compreendeu, pois ela mesma já tinha dito o mesmo ao seu patrão. Já perto das onze horas, o Dr. Jacinto telefonou e contou que a acusação de agressão fora arquivada. Restou o pagamento do imposto, o recolhimento das multas e talvez alguns outros desembolsos, deveras misteriosos e tudo ficaria resolvido; tranqüilizou o advogado. Como se isto fosse possível. Uma acusação envolvendo um crime de agressão a agentes da arrecadação poderia ser convertida em crime hediondo. Disto Pedro Mauro, livrou-se.

Infâmias, traições, covardias, mentiras, qualquer um destes atos ou que fosse pior. Nenhum deles afetaria Pedro Mauro, tanto como, ele se sentia no momento. Os seus pensamentos projetam uma alma negra, sombria, tão sombria, que agora, nem uma legião dos companheiros de Mefistófeles se cotizariam para comprar-la. Mas preocupante era o seu silêncio. Pedro Mauro ficou calado seus olhos não transmitiam nenhuma impressão. O olhar: frio e distante.

Augusta telefonou para seu consultório e pediu para a secretária transferir as consultas agendadas para aquele dia, para outra data. O caso do Pedro Mauro era sério, por isto a prioridade. Saiu por uns momentos alugou alguns filmes e ao retornar, encontrou Pedro Mauro, já em pé, caminhando de um lado ao outro da sala, catatônico. Não se aquietava para nada. Uma fúria contida, uma panela de pressão preste a estourar. Quando em pé, ele queria deitar; deitado, queria sentar, sentado, levantar. Foi o suficiente para Augusta, transformar-se na profissional, que é. Desafia Pedro Mauro, chama-lhe a atenção e convocou sua forte personalidade. O tempo e uma boa refeição também ajudaram a acalmá-lo. Logo após as três da tarde, Pedro Mauro vai deitar; junto com ele Augusta. Só depois, já onze horas da noite, que Augusta sente a normalidade voltando para o Pedro Mauro. Depois de dormir nove horas seguidas as forças vitais começaram a responder. No início, para Pedro Mauro, sentiu um misto de sonho e realidade. “Colinas, são duas, de suaves, mas definidas curvas a sua frente, de onde parece correr um rio. Tem o sabor de leite e mel, correm para um vale. A geografia ainda tem outros contornos parecidos com os que a biologia dotou à espécie feminina. Tudo foi devidamente galgado, explorado e vencido”. Pedro Mauro acalmou-se. Foi real. A conseqüência desta noite nasceria em nove meses.

Na manhã, Pedro Mauro, acordou mais disposto e decidido a encarar os obstáculos. Levantou antes de Augusta, toma o café da manhã e se despede com um beijo na face. Ela ainda dorme.

O ESTACIONAMENTO

Passaram-se três meses após a apreensão dos óculos, a loja agora passou a contar com mais dois novos funcionários; um ajudante no balcão e outro, auxiliar de escritório e Pedro Mauro ainda tenta a liberação dos óculos, sem sucesso. Em todas tentativas, tinha alguma justificativa. Uma vez: a falta alguma documentação, outra, a falta de recolhimento de alguma taxa, na outra, uma declaração, como aquela que lhe foi pedida, que informasse: “Que o dono da mercadoria apreendida se encontra, realmente, em solo nacional”. Numa outra, depois de compridos todos os procedimentos, a mercadoria não foi encontrada nos depósitos da receita e na última não encontraram nem os óculos, nem o auto de atuação. Simplesmente, nada. Nem se tem conhecimento da apreensão, nem da autuação. Nesta oportunidade, Pedro Mauro apresentou a sua via da autuação. Por pouco que não foi preso. Motivo: suspeitaram que a via fosse falsa. O contador, o advogado e o próprio Pedro Mauro, levaram muito tempo, até que desistiram, tentando descobrir que vantagem ele teria em pagar a multa com uma via falsa de autuação. A repartição, simplesmente não encontrou documento algum do ato. O prejuízo estava realizado. Entre o preço do produto, o imposto e a multa: Dois mil e quatrocentos Reais. Enfim, era a vida correndo normalmente, para um empresário numa terra de leis. Pedro Mauro retém gravado em sua memória o dia em que ele perdeu a mochila com o GPS, bússolas, mapas e outros apetrechos de Sobrevivência, no interior da selva nas Filipinas. Seu senso de orientação e força de vontade o levou a acompanhar o curso das águas, até a foz do rio no litoral, seguindo daí, ao encontro de uma vila de pescadores. A aventura durou oito longos dias. Sobreviveu alimentando-se com o que a selva fornecia: a caça e frutos. Respeitou e foi respeitado pela selva. Lá, era o seu habitat. Aqui, descobriu, ele não passa de um alienígena num planeta hostil.

Enquanto ocorria a questão dos óculos, o imóvel vizinho ao lado do estacionamento da loja foi locado para um “café bar”: O AVENIDA BOULEVARD. Pedro Mauro e Gracinda foram convidados para a festa da inauguração. Convite extensivo a Augusta. O ambiente acolhedor, bebidas e comidas de primeira. Bom atendimento e ótima freqüência. Pedro Mauro acabou conhecendo os proprietários, o Amadeu e o Juarez, facilitando com isto a um acordo sobre o uso do pátio de estacionamento da loja do Pedro Mauro.

Pedro Mauro concordou em deixar o pátio livre aos os fregueses do café AVENIDA BOULEVARD, no período noturno. Isto depois do sim do proprietário do imóvel. Dois dias após a inauguração, já passados da meia noite, quatro ladrões roubaram dois carros de luxos pertencentes a fregueses do estacionamento do “Café”. No momento que o proprietário de um dos veículos apareceu e tentou impedir a ação, acabando recebendo um tiro, cuja bala trespassou próximo ao pulmão. Deixando-o ferido.

Por se um local freqüentado por pessoas de bom nível de renda, a policia chegou rápido. O ferido foi encaminhado ao hospital, em estado grave e os carros sumiram.

Pela manhã, Pedro Mauro chegou para mais um dia de trabalho, ainda sem saber do fato, abriu a loja, logo depois chegou a Gracinda; parecia que seria mais um dia normal. Engano. Perto das dez e meia estacionou um carro Gol, da policia. Dois homens desceram e começaram a perscrutar em volta do estacionamento. Um deles com uma prancheta na mão fazendo anotações. Gracinda notou os dois e comentou com Pedro Mauro a atitude dos policias. —O que será que perderam?

Também, curioso, Pedro Mauro foi ao encontro deles. Ao chegar próximo, eles estavam agachados perto de uma marca de pneus deixada no chão por alguém que arrancara com o motor em alta rotação

Bom dia. Disse-lhes Pedro Mauro. A resposta sucinta dos dois foi um olhar, significativo: você esta atrapalhando.

—Algo errado?

—Quem é o senhor? Foi a pergunta, no lugar da resposta.

—A loja aqui ao lado é minha. O estacionamento serve a minha loja. Disse Pedro Mauro. Um pouco mais curioso agora.

Os policiais acabaram por contar ao Pedro Mauro o caso do roubo dos carros e o ferimento de uma vitima. Anotaram o nome e os dados do Pedro Mauro, fizeram algumas perguntas sobre o estacionamento e logo foram embora. Eram investigadores da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, situada no outro lado da cidade. Há uma delegacia próxima, a uma distância de uma quadra e meia loja, mas é uma Delegacia de “Proteção” aos Bens Roubados de Interior de Veículos. Não se envolve, com roubos “de” veículos.

O “café bar” ainda estava fechado, só abriria a tarde, depois das sete horas da noite, assim Pedro Mauro, que sempre encerrava sua atividade comercial depois deste horário, pode, ao final do dia conversar com os vizinhos do café e saber com mais detalhes o que havia acontecido.

Contaram-lhe a mesma versão dos policiais, lamentaram o fato e conversaram sobre a insegurança provocada pela violência, que corria a solta. Temiam pelo seu negócio. Logo na semana da inauguração, e acontece aquilo. Ainda bem que o ferido, apesar da gravidade do ferimento e estar na UTI, tinha o seu estado de saúde estável. Contaram ainda que providenciaram a assistência à família da vitima, na medida de suas possibilidades.

Nem trinta dias se passaram do quando o inesperado. Pedro Mauro é intimado a comparecer a Delegacia Roubos e Furtos de Veículos. A intimação dizia: “Apresentar-se na Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos dia 17 às dez horas da manhã”.

No dia marcado, quinze minutos antes da hora, Pedro Mauro chegou a delegacia, junto com os vizinhos. Nem um deles fez-se acompanhar por advogado. Apenas consultaram os seus que os aconselharam, no caso de algo mais sério, a telefonar-lhes.

O primeiro a ser chamado, foi o Amadeu. Depois de uma hora, conversando com o delegado, o Amadeu sai. Juarez foi o próximo. Igualmente, uma hora. É a vez do Pedro Mauro. Tudo ocorreu normal e sem surpresas. O delegado queria saber sobre os seus vizinhos, se já observará alguém em atitudes suspeitas perto da loja, coisas deste tipo. Agradeceu ao Pedro Mauro e o dispensou. Amadeu e Juarez ficaram ainda mais um pouco para tentar reconhecer os ladrões pelo álbum de fotografias da policia. Mas nada descobriram.

Após dois meses. Pedro Mauro recebeu nova intimação. Desta vez Judicial. “Favor comparecer ao Fórum da Cidade sito a Rua da Calamidade, s/nº, na 2ª Vara, no dia 25 de Janeiro, deste ano, às 16:00h”. Era o que dizia o “convite”. Telefonou para Dr. Jacinto contando sobre a intimação e foi aconselhado ficar tranqüilo e esperar até o dia; e evidentemente, comparecer na data marcada. O advogado pediu ainda, para lembrá-lo no dia pela manhã, que iria o acompanhara-lo.

Chegou o dia, a primeira providência do Pedro Mauro depois de abrir a loja, foi telefonar ao advogado e combinarem o encontro na porta do Fórum quinze minutos antes do horário marcado. Chegando ao Fórum, o Dr. Jacinto já tinha a informação sobre o motivo da intimação. O poder judiciário estava responsabilizando-o e aos vizinhos do AVENIDA BOULEVARD, pelo ferimento da vitima do assalto e pelos próprios veículos roubados. Os ladrões? Não. Considerando que a policia não os identificara e muito menos conseguira prende-los, os empresários seriam responsabilizados e enquadrados em substituição, por crime culposo. Deveriam os empresários, por “obrigação social”, ter evitado o assalto. Considerando, principalmente, que um dos carros roubados era o veículo de uso oficial do deputado federal Josué Alameda. Não importa aqui o detalhe como; o que o veículo oficial do deputado que não poderia estar circulando fora da capital federal e por ser um veículo de uso exclusivamente na capital Federal. E o que o deputado fazia no AVENIDA BOULEVARD, porque naquele mesmo dia respondeu a chamada de presença da sessão noturna da câmara às dezessete horas e, como a sessão só terminou à uma hora da madrugada do dia seguinte, não havia como sua excelência estar em dois lugares ao mesmo tempo (a não ser que ele tivesse instituído uma nova lei da Física Quantica). Isto, contudo em nada mudaria a situação dos acusados, cujas acusações iam, deste, Pedro Mauro não ter impedido a presença de pessoas armadas, com metralhadoras, no pátio do estacionamento, até a sua colaboração com o crime, por ter emprestado o pátio para uso dos clientes do café bar. O AVENIDA BOULEVARD e seus sócios foram acusados por não preverem o crime e por corroborarem com a atitude criminosa de Pedro Mauro. Mesmo existindo uma Delegacia no bairro o policiamento era reduzido. A região estava desprotegida. As leis? Sim, aos montes. Policiamento? Nada. Daí a facilidade dos bandidos em escolher o local para o roubo.

Pedro Mauro refutou todas as acusações e assinou o inquérito mediante insistência do Dr. Armando, com uma observação de protesto do advogado. Foi liberado mediante o pagamento de Cem mil Reais. O valor estipulado foi alto, por ser o Pedro Mauro um empresário, o que por si só, quase se configura um crime, no país.

A data do julgamento chegou rápida e a defesa do advogado não ajudou muito na inocência de Pedro Mauro. Ele alegou, entre outras, a seguinte tese:

“O combate ao crime organizado, é prerrogativa e, principalmente: de responsabilidade exclusiva do Estado. O cidadão comum, ou até mesmo uma pessoa jurídica, não tem como se armar nas mesmas condições de respostas num confronto com gangues armadas, uma vez que suas armas são de alto poder de fogo, como metralhadoras e até granadas. Um cidadão não possui o treinamento para este tipo de ação, muito menos é legal tal atitude. A necessária investigação é por si só, de difícil realização e tem de ser conduzidas por pessoas aptas. A contratação de uma empresa especializada em segurança e investigação, também não seria a solução no caso. Também estas, têm suas limitações e principalmente custam caro. Sobrepujando estes argumentos, o último: todos os cidadãos e empresas pagam impostos para o Estado prover a segurança. Então como poderia o meu cliente, proprietário de uma loja, prever e impedir uma ação agressiva e armada?”

Nada adiantou. Foi sentenciado com três anos de detenção e mais ao pagamento de Cinqüenta Mil Reais. A sentença só não foi maior, pelo beneficio da duvida, considerando que ele não conhecia os criminosos e que, apenas facilitou o crime. O proprietário do imóvel em outra sentença foi condenado a uma multa de Cento e cinqüenta mil Reais. Foi responsabilizado ser o proprietário dos imóveis e por não destina-lo para o uso social; com o de servir de abrigo para os próprios criminosos, considerados como agentes sociais. Uma teoria parecida com a de Robin Hood, romance, por sinal abolido do território do país, por ser literatura inglesa.

Pedro Mauro cumpriu seis meses e foi liberado pelas comutações da pena. Corria, e ainda corre um processo movido pelo deputado contra Pedro Mauro, contra o Amadeu e o Juarez e o proprietário do imóvel pedindo uma indenização por danos materiais, físicos e morais sofridos pelo ilustre deputado. A vitima do tiro, passa bem e já se encontra no quarto de enfermaria. A família recebeu o seguro do veículo roubado e o seguro contra acidentes pessoais, que a seguradora pagou sem muita complicação.

Quem acabou ganhando, até mais que os próprios ladrões? O deputado.

Enquanto isto, a loja ficou sob os cuidados da Gracinda. Com habilidade e zelo ela atendeu os negócios. Seguiu todas as instruções que o patrão lhe enviou, enquanto preso. As comunicações com o exterior da prisão, é concessão dada aos bandidos organizados. Além deles ninguém mais tem permissão de usar celular ou receber visitas intimas. Apenas nos Domingos era permitida a visita e Pedro Mauro não permitiu que Gracinda perdesse o descanso do Domingo, por isto ele passava as instruções para Augusta e esta as transmitia para Gracinda. Contudo a presença do dono, sempre faz falta. As decisões de importâncias; O que comprar? Um desconto importante a um bom freguês? O destino do dinheiro, mesmo considerando que este esteve aos cuidados de Dona Gertrude, a mãe de Pedro. A empresa foi abalada, principalmente por ser pequena e por tantos problemas. As constantes e semanais fiscalizações realizadas pelos fiscais da Receita Republicana, só ajudaram a agravar a situação. Qualquer dúvida se transformou em pendengas jurídicas. Nem o Sr. Armando, conseguiu administrar os desmandos cometidos.

Uma outra “ação social” acabou por piorar o que já era difícil para um empreendimento no seu nascedouro e desgastado por conseqüência da primeira “ação social”: a prisão do seu proprietário pelo o assalto ocorrido no estacionamento.

Os “Sem Telhas” invadiram o estacionamento.

Um pouco antes da soltura de Pedro Mauro, um sindicalista chamado Luís José, liderando uma dezena de famílias, invadiu o estacionamento, alegando que o terreno não cumpria sua função social e ainda servirá como palco de crime. Armaram as barracas, e passaram a cobrar pedágio dos clientes da loja e do Café Bar.

Assim que Pedro Mauro foi solto, os destelhados resolveram armar piquetes em frente as portas de acesso da loja e invadiram, também o “café bar”. Luís José, sendo o líder, tinha preferência para a mesa principal.

No meio deste turbilhão, duas semanas depois de libertado, nasceu Gastão, um bonito e robusto rebento para emoção do agora desgastado Pedro Mauro.

terça-feira, setembro 05, 2006

O AVENTUREIRO DE ILUSION 4 (continuação do 3)

4 NAS TRILHAS DO REGISTRO

As leis do país obrigam que seja citado no contrato social da futura empresa o endereço, mesmo que a empresa ainda, não esteja em funcionamento, por isto, Pedro Mauro foi obrigado a alugar antecipadamente um imóvel. Era uma casa adaptada para locação comercial. Ela tinha uma grande sala na entrada, que ocupava mais da metade da área, três banheiros, quatro outras salas menores, sendo que uma veria á ser ocupada pelo escritório do Pedro Mauro, uma para a secretária e a outra de uso geral. O imóvel tinha ainda um bom estacionamento ao lado esquerdo, com vagas para vinte automóveis. O estacionamento não tinha cobertura e no frontispício, apenas uma corrente estendida e sustentada por pequenos e estreitos postes de ferro de meio metro de altura, com uma distância de três metros, separando cada um deles, demarcava a divisa do imóvel com o passeio de pedestre. Contíguo ao estacionamento, havia outro imóvel, uma casa do mesmo proprietário, naquele momento desocupada. Separando os dois imóveis havia um muro. Pelo aluguel, ele assumiu o compromisso do pagamento de Três mil Reais mensais. Até que era uma quantia barata, considerando a região. Mas, ele teria de arcar com o aluguel, mesmo sem trabalhar. Com a loja ainda fechada para comercializar. Enquanto o registro na Junta do Comércio não fosse aprovado, ele não poderia abrir a empresa. Pagará o aluguel, apenas para constar o endereço no contrato social. Um mês? Se tudo correr bem, sim, caso contrário, enquanto não saísse o registro, ficaria pagando o valor acertado para o aluguel, mesmo sem receita.

A empresa viria a atual ramo do comércio e conforme previsto no contrato social, além da compra e venda de artigos para excursões, expedições, alpinismos, esportes terrestres, navais e aéreos, enfim toda gama de venturas e explorações, previa também a publicação de um jornal para divulgar assuntos relacionados aos temas. Por isto Pedro Mauro, foi orientado pelo contador á contratar, também um jornalista. Convidou um profissional da área jornalística, conhecido seu de antigas aventuras, como o responsável técnico do Jornal: o “A EXPEDIÇÃO”, o nome escolhido para o veiculo. Aceito o convite, a assinatura do jornalista também ficou obrigatória, no contrato social da empresa. Esta, uma exigência da confederação dos sindicatos dos jornalistas e acatada pelo programa de desburocratização do país.

Após longos dias em corredores de repartições, algumas destas um tanto lúgubres, outras, a maioria, imensas salas palacianas, em busca de certidões, registros e atestados, Pedro Mauro conseguiu vencer a primeira fase de sua nova aventura. Protocolou o pedido para o registro na Junta do Comércio e da mesma forma pagou todas as taxas: taxa da Junta do Comércio, a taxa Estadual, a taxa Federal, a taxa para auxilio da campanha da desburocratização, a taxa para auxílio das mensagens de mídia para as campanhas federais de conscientização da população sobre assuntos relevantes, a taxa cultural “rinheira”, as duas taxas de cartórios (uma para o registro e outra para ocaso de não aceitação do registro). Total, Trezentos e Vinte Reais. Finalmente foi protocolado o pedido de registro na Junta. O prazo estipulado para entrega do registro. Trinta dias.

Passados os trinta dias, o Sr. Armando, o contador telefona para o Pedro Mauro. Não foi desta vez! Avisou o contador. Motivo, agora: a PREVIDÊNCIA E A APOSENTADORIA SOCIAL, mesmo já tendo emitido uma certidão negativa, quando foi pedido, agora negou a sua aprovação ao contrato social da empresa.

— Pedro Mauro, teu nome consta numa lista, nos arquivos da previdência e aposentadoria social, por atos lesivos. Um susto, não é possível. Pedro Mauro nunca cometeu ou participou de qualquer ato lesivo. Só poderia ser um engano.

Não era engano. Há oito anos atrás Pedro Mauro precisou de um atendimento hospitalar, uma pequena cirurgia no seu joelho esquerdo. Nesta época ainda não era uma pessoa conhecida e ainda não recebera a sua herança. Como já era uma pessoa de personalidade forte, não quis depender do pai e dirigiu-se para uma das filas da previdência às quatro horas da madrugada a fim de marcar uma consulta médica. Já eram sete horas quando começaram a distribuir as senhas para as pessoas que seriam atendidas naquele dia. Neste momento, uma senhora de 75 anos, que também estava na fila e que chegara cinco minutos depois de Pedro Mauro, desmaiou. Ela sofria muito, com uma terrível dor de cabeça e devido ao horário que chegara, não foi agraciada com uma senha para a consulta naquele dia. Ela chegou muito tarde. Por infelicidade uma equipe de televisão estava no local, fazendo uma reportagem sobre o novo, ágil e eficiente atendimento da previdência. Na tal reportagem, entrevistaram algumas pessoas da fila, pedindo suas opiniões sobre a qualidade do novo atendimento da previdência e, também sobre a infeliz sincope da idosa senhora; entre os entrevistados o Pedro Mauro. Foi o suficiente para que os atendidos na repartição daquele dia, fossem fichados na previdência, como agitadores. Como a previdência não deu seqüência ao incidente deixando de comunicar as pessoas enquadradas e, também, não encaminhando o processo para a justiça, o ato ficou, apenas como um registro administrativo e não uma divida pecuniária. Por isto a certidão negativa foi emitida, mas a previdência negava-se a conceder o registro á uma empresa cujo sócio estivesse envolvido com atos administrativos contra o órgão.

Para solucionar o caso, foi necessário usar as influências dos amigos, muitas despesas com advogado, multas onerosas e depois de uma vintena em dias Pedro Mauro livrou-se do empecilho. Junto com a nova certidão negativa da previdência, fez acompanhar uma carta de apresentação do superintendente regional da repartição Previdenciária. Afinal Pedro Mauro, agora é uma pessoa de prestigio na cidade.

Outros vinte dias, na nova maratona para juntar todas aquelas negativas, certidões e atestados, que nesta altura já estavam com seus prazos vencidos. Pagou igualmente a pagar todas aquelas taxas que a Junta do Comercio cobra para o registro.

E o aluguel? Correndo.

Depois, de mais trinta dias, novo telefonema do contador. Outro problema. Desta vez, o motivo para a recusa do registro: o jornalista responsável pelo tablóide A EXPEDIÇÃO. A confederação dos sindicatos dos jornalistas, não havia aceitado o profissional escolhido pelo Pedro Mauro. Ele não era “confederalizado”. É interessante salientar que ele e outros colegas de profissão também recusam a obrigação da tal confederalização.

Pedro Mauro inquietou-se, na verdade tudo isto começara a enervá-lo e ainda foi obrigado a ouvir algumas colocações injustas dos consultores, que já colocavam em dúvida sua capacidade empresarial.

Pedro Mauro. Disse-lhe Lucas. — Administrar uma empresa, não é a mesma coisa como escalar uma montanha. É muito mais difícil. Você precisa ter estofo para a coisa. Planejar tudo com cuidado. Não pode se jogar como se isto fosse uma das tuas aventuras...

—Mas foram vocês que me convenceram, a “montar” a empresa e prometeram ajudar no planejamento e na documentação.

—Eh! Sempre ouvimos isto dos empresários. Eles nunca aceitam os erros que cometem. Respondeu o consultor.

— P....! Planejei tudo junto com vocês, Perdi oito meses planejando, estudando item por item!!!

— Calma. Assim não podemos te ajudar. Acho que você deve desistir da idéia.

— Me convenceram a entrar nisto e agora você vem com esta história de dssistir ..... que “porcaria” de empresa. Que coisa......! ????!!!!! ##@@@@.... (caveiras, cobras, lagartos e outras figuras condizentes com a condição e o estado emocional do Pedro Mauro). Deixemos a tempestade intelectual do Pedro Mauro de lado e sigamos o enredo. Passados outros vinte dias, Pedro Mauro, finalmente encontrou um jornalista que era registrado na tal confederação. E tudo repete-se. Outros vinte dias somaram-se ao tempo perdido com registros e certidões negativas e positivas, (a carta de apresentação do superintendente da previdência ainda possuía validade, pois era uma carta), pagas novamente, todas as taxas e pela terceira vez protocolou o pedido de registro .

Corridos mais trinta dias, desta vez o telefonema avisando que finalmente o registro fora aprovado. De inicio, Pedro Mauro não acreditou. Passaram-se duzentos e sessenta dias deste o início das primeiras certidões e atestados. O aluguel? Correndo e religiosamente pagos durante todo o tempo por conta, da social necessidade burocrática.

— Veja Pedro Mauro, tudo tem um motivo de ser. Agora você pode ficar tranqüilo. O rigor deles e tudo o que te pediram foi para tua tranqüilidade. Foi o consolo que ouviu do Lucas, o consultor.

— Huffmm... A inaudível resposta de Pedro Mauro:

Além dos pagamentos de quase nove meses de aluguel que Pedro Mauro desembolsou, ele havia, prematuramente comprado os móveis e utensílios para a loja. A única utilidade foi o de usar para preparar as palestras que ele continuará proferindo, receber as visitas e trabalhar no esboço do livro.

No dia seguinte, já de posse do registro ele confirmou os pedidos das mercadorias que havia feito antecipado, instalou uma linha de telefone, abriu uma conta no banco e contratou uma funcionária. A contratada chamada Gracinda contratada como secretária e também para ajudar nas vendas do balcão. Uma funcionária como Gracinda, acumulando as duas funções, ele poderia continuar com as suas palestras. Enfim iniciou os primeiros passos formais do negócio.

Pedro Mauro tem entre suas lembranças das aventuras, a de ter conhecido voluntários, enfermeiros, médicos e outros que trabalhavam em terras longínquas, em meio a guerras e em calamidades. Situações onde estes profissionais, atendem, tratam e fazem cirurgias em ambientes demasiadamente hostis. Presenciou situações que obrigavam os médicos a escolhem quem deve seria salvo. Verificavam a extensão dos ferimentos e aquele que pelos seus olhos profissionais estivesse em piores condições seria deixado ao lado, era preterido no atendimento dando lugar para alguém com melhores possibilidades de salvação. Algumas vezes, as cirurgias eram realizadas sem anestesia ou morfina, já esgotadas. Mãos ágeis e seguras como devem ser a de profissionais, seus procedimentos pareciam com os movimentos de robôs. Contudo eram humanos e sofreiam com o que presenciavam e com as suas próprias decisões, mas não tinham outra alternativa, agiam daquela forma tentando ao menos amenizar a dramática situação. Seus olhos eram frios e não refletiam a dureza na qual estavam expostos. As faces, enrijecidas pelo árduo trabalho que executavam no frio ou no sob sol abrasador.

Foi esta expressão que o subconsciente do Pedro Mauro registrou ao falar pela primeira vez com o Sr. Armando, o contador. Tinha a mesma expressão acima descrita. Como contador, ele viu, bons e excelentes empresários quebrarem. Aos montes. Empresas obrigadas a fecharem as portas sem a menor complacência das autoridades. Simplesmente porque algum regulamento legal foi alterado de última hora, algum fiscal “encasquetara” em perseguir o empresário, a algumas empresas, ou porque,estas não conseguiam atender a todo o cipoal de leis, normas, decretos, impostos, taxas, ou porque foram vitimas de cobranças tributárias indevidas, algumas não tão formais. Muitos empregados, agora desempregados; alguns dos seus próprios funcionários, ele fora obrigado a dispensar devido as dificuldades financeiras. O Sr. Armando sabia e sabe o que é trabalhar num ambiente hostil. Afinal, com o seu escritório, ele também é um empresário.

— Senhor Pedro Mauro; tenho algumas coisas para lhe falar e espero que me entenda. Eu corro o risco de perder minha licença de contador, se o que eu lhe disser for a público. O contador olha para a mesa, como que procurando alguma coisa. Pensa um pouco e continua. —Notei que o senhor é uma pessoa responsável. Planejou seu empreendimento, estudou bem sobre o assunto, enfim, adotou os procedimentos certos. Mas em nosso país, a atividade empresarial tem alguns riscos, que talvez estejam acima do seu preparado, apesar da sua experiência com riscos. Notava-se alguma dificuldade do senhor Armando. Mas ele estava decidido a dizer que o tinha de ser dito. —As coisas aqui têm nuances estranhas. Muitas vezes o forte fica fraco, o fraco fica forte. Depende da situação; muitas vezes temos vistos a moral forte, perder para o caráter fraco, só por uma questão de influências. Pessoas... Às vezes pessoas, com duvidosa moral, têm estranhas e e duvidosas forças que lhes apóiam. O contador fez nova pausa, como se estivesse pensando no peso do que dizia. —Tenho clientes que em condições normais, não teriam como sobreviver. Nada sabem do seu comércio, ou da sua empresa. Mas estão ricos. As empresas “vão” mal, mas os donos estão ricos. Nem mesmo a Receita Tributária Republicana os incomoda. Eles conseguiram descobrir como e onde “garantir o seu negócio”. Nova pausa. Pedro Mauro está atento, mas demonstrou um leve sinal de espanto, como que pensando: “Mas de que diabos ele esta dizendo”.

O sr. Armando faz nova pausa, desta vez, repentinamente muda de assunto. Pega no arquivo de Pedro Mauro uma lista dos procedimentos trabalhistas necessários para contratação de funcionários, no caso a Gracinda.

  • Certidão de nascimento;
  • Certidão de casamento se houver;
  • Certidão de nascimento dos filhos se houver;
  • Atestado de saúde;
  • Duas fotos 3 x 4;
  • Exame médico de admissão.

Nada complicado, mesmo porque a documentação seria providenciada pela própria Gracinda. Os custos trabalhistas não o assustaram. Já estavam previstos, ainda na fase de planejamento da empresa.

Junto com os regulamentos da SLT (SOLIDIFICAÇÃO DAS LEIS TRABALHISTAS), Pedro Mauro recebeu também a lista com a tabela constante de uma parte dos impostos a serem recolhidos por sua loja.

  • Impostos e taxas federais para pessoas jurídicas (e físicas).

Tabela para recolhimento do Imposto de Renda

Pessoas Jurídicas e físicas:

§ Lucros, rendas e salários.

Até R$1.000,00: 15,0%
Entre R$1.000,01 até R$2.000,00: 27,5%
Entre R$2.000,01 até R$5.000,00: 35,0%
Acima de R$5.000,01: 45,0%
Obs: Todas as empresas que se enquadram como: Sociedade Anônima, Companhia Limitada, Sociedade Civil, Empresa Individual, Profissional Liberal e todas as Instituições com finalidade lucrativa ou não, Pessoas Jurídicas ou Física receptora de algum tipo de ganho, lucro, renda ou salário a incidência do Imposto de Renda será de 50,0%.
      • CSLL – Contribuição Social sobre Lucro Liquido. Contribuição para que o Estado não tenha dúvidas que realmente extorquiu, o Imposto devido sobre o ganho: 20,0%
      • CPVP - Contribuição Provisória para os Vôos Presidenciais. Incidência sobre o total da movimentação financeira: 5,0%
      • CPPSCEF - Contribuição Provisória para Proteção dos Servidores de Cargos Eletivos Federais. Incidência sobre toda movimentação financeira: 7,0%
      • CPSF – Contribuição Permanente aos Sem Fazendas. Incidência sobre toda movimentação financeira: 7,0%
      • CPSDAMS – Contribuição Provisória para a Segurança, no exeterior, do Dinheiro Arrecado pelos Movimentos Sociais (sindicatos e congêneres). Incidência sobre toda movimentação financeira: 1,0%
      • Taxas para manutenção dos cartórios a serem desativados. (Seguro para ex-cartorários). Incidência sobre a receita liquida bruta.

Obs: Os percentuais incidentes nos ganhos, destinados às Contribuições Provisórias e Permanentes, constantes na lista, devem ser consultados mensalmente na “Hora Oficial” (equivalente ao nosso Diário Oficial):

  • Impostos Estaduais.
          • IQBC - Imposto sobre Qualquer Bem ou Coisa Natural, Artificial, de Uso Pessoal ou Coletivo, de Uso Permanente ou Descartável, de Luxo ou Lixo, Inventado ou a ser Inventado, Descoberto ou a ser Descoberto, Alimento, Bebida ou Respirado, Achado ou Apanhado, Tudo o que for Tangível ou Intangível, Imaginário ou Real, que Tenha Utilidade ou Não. 30,00%

  • Impostos e taxas municipais.

§ Imposto sobre Prestação de Serviços: 8,0%;

§ Imposto sobre Prestação de Serviços em vias de serem prestados: 10,0%;

§ Taxas para a manutenção de ruas, praças e vias transitáveis: 5,0%;

§ Taxas para a manutenção de ruas, praças e vias não transitáveis: 9,0%

(taxa maior porque o inicio de uma obra do zero ser mais dispendiosa)


Contratada a Gracinda, a empresa registrada na Junta e de posse das informações, ainda parciais dos impostos e taxas a serem recolhidos, chegou o momento. O primeiro número do jornal, o EXPLORADOR já estava impresso e pronto para circular. Uma matéria comentando sobre a aventura no rio Óbitos na Amazônia. Ali, estavam contados; o ataque da onça, a tentativa de assalto do mateiro e como Pedro Mauro escapou de ambos os ataques. Foram impressos cinco mil exemplares para distribuição, encartada no caderno de turismo do jornal local. Pedro Mauro conseguiu absorver o custo com alguns anúncios vendidos antecipadamente.

Porém, a confederação dos sindicatos dos jornalistas impediu que o caderno de turismo circulasse,com o encarte. A confederação não concordou que; uma matéria a qual não fora escrita no “momento real” do evento, tivesse publicação. O que seria isto? É simples. A matéria deveria ter sido escrita, por um jornalista confederalizado, que tivesse participado pessoalmente do evento. A sensação que Pedro Mauro sentiu lhe era desconhecida. Foi pior do que aquela, quando ficou agarrado numa pedra pelas pontas dos dedos da mão esquerda a uns milímetros do precipício gélido, no Himalaia.

  • Como você não previu isto, Pedro Mauro?! É o Lucas, o amigo consultor no alto de sua sabedoria. Devia ter levado um jornalista confederalizado junto com você na viagem.
  • (Poupando os olhos do leitor não transcrevemos o pensamento do Pedro Mauro neste momento, cuja alma, nem Mefistófeles a compraria).




sábado, setembro 02, 2006

O AVENTUREIRO DE ILUSION 3 (continuação do 2)

3- EM TERRA DE LEIS

Assim, graças ao programa na TV, Pedro Mauro foi convidado para conceder novas palestras, dar cursos com temas variados: assuntos que iam da auto-estima pessoal ao planejamento doméstico, convidado para festas, coquetéis; até uma instituição de apoio aos empresários e empreendedores do país o convidou para proferir uma série de palestras e cursos de sobrevivência no mundo dos negócios, direcionada para empresários.

As referências feitas nas palestras, sobre a importância do planejamento, a necessidade de acuidade aos detalhes, da elaboração de cronogramas e seus acompanhamentos, dos fluxos financeiros e de materiais, assuntos ligados tanto aos preparativos das aventuras como na preparação de uma empresa, acabou facilitando seu relacionamento com os consultores e instrutores da Instituição. Aconteceu que, depois de um destas palestras, acompanhado de seus novos amigos, num dos restaurantes da moda, sob o pós-efeito de muita e boa comida e, ainda mais, de bebidas, conversando sobre as semelhanças existentes entre uma perigosa excursão e o gerenciamento de uma empresa, quando Lucas, o consultor o qual Pedro Mauro tinha mais contato, passou a insistir com ele para comercializar a sua marca e a experiência adquirida com as aventuras.

— É só você criar uma empresa e uma marca comercial. Disse a Pedro Mauro, nesta altura com a adesão dos demais consultores presentes.

— Você já tem tudo: o conhecimento do assunto, o nosso apoio, o seu carisma, você já é conhecido no “mercado” e principalmente: tem o capital. Falou o Lucas.

Ser um executivo, não estava entre suas pretensões, mas a insistência dos consultores foi de tal monta, que acabou por convencê-lo.

— Pedro Mauro. Você tem nosso apoio e nossa assessoria, o que pode dar errado? Com esta frase, venceram a última resistência de Pedro Mauro, que já andava preocupado com o destino do seu capital. O dinheiro tão dificilmente arrecadado com os patrocínios, com o programa de TV e a herança deixada pelo pai. Explica-se que na partilha, a mãe do Pedro Mauro, preferiu ficar com a metade, composta pelos imóveis, deixando a parte liquida, para o filho. Um razoável valor em dinheiro. Tudo totalizando de quatrocentos e cinqüenta mil Reais. O livro perdeu a prioridade.

Começa uma nova aventura. A empresa: O EXPLORADOR LTDA.

O EMPREENDEDOR

Tomada a decisão, ficou pra trás o tempo de aventuras nas terras selvagens e sem leis. Pedro Mauro agora é um empresário no firme e estável terreno de um país de leis. Os eventos passam a ser previsíveis. Adeus às preocupações com as perigosas armadilhas da natureza, com as traiçoeiras trilhas, rios caudalosos, florestas de climas opressores, animais ferozes, as OPU’s do mundo. Agora a civilização. É verdade, continuam as preocupações com os planejamentos, com as atenções aos detalhes.

Os fatores externos? A partir de agora, ficam neutralizados pela ciência política das leis, num país civilizado. Agora ele passa a depender apenas da sua capacidade de contornar problemas, de calcular os riscos e decidir as melhores opções; depender apenas dele e da sua acuidade, hábitos adquiridos nas aventuras ao longo dos anos.

Contudo, uma variável Pedro Mauro não considerou! E isto acabaria custando caro. Muito Caro! Os meandros das leis. Os contáveis e obscuros obstáculos do novo jogo. O seu país esta passando por transformações: de aparências sutis, mas profundas. Um novo governo que se denomina republicano social, têm entre suas doutrinas, a aversão pelo individuo empreendedor. Mas graças uma bem elaborada propaganda, se mostram favoráveis ás iniciativas empresarias, contudo, nas profundezas do areal legislativo, promovem obstáculos, algumas verdadeiras armadilhas mortais.

A Constituição Federal do país é tão volumosa que a antiga Enciclopédia Britânica, com todos seus volumes, não passa de uma pequena agenda de bolso, se comparadas. Até a diferença do nível em milímetros, que um elevador pode ter para cima ou para baixo, ao parar num determinado andar de um edifício, esta prevista na Constituição e como o elevador deve sempre parar no mesmo nível do piso, esta lei foi inserida nos capítulos “Férreos” da Constituição. As leis que fazem parte dos capítulos Férreos, são assim chamadas por serem, em principio de características imutáveis. Características estas, que a população sente diariamente no corpo e na alma.

No momento, o grande sucesso no país, é o novo programa de desburocratização, anunciando as facilidades nos procedimentos e normas para constituir e organizar uma empresa. Dizem os anúncios:

Basta levar os documentos necessários até a Junta do Comércio, para se dar entrada no registro da sua tão sonhada empresa. Não tem mais burocracia”.

A antiga Via Sacra impostas aos empresários, no passado acabou. Não precisam mais se dirigir aos departamentos Municipais, Estaduais e Federais; da receita federal, da previdência, tudo acabado. Tudo ficou muito fácil. São os novos tempos de uma nova ordem.

Seguindo os conselhos dos amigos consultores, Pedro Mauro contratou um contador, O Senhor Armando e um advogado, Dr. Jacinto. Também se viu obrigado a contratar por tempo integral um administrador de Empresas. Sim agora na nova era, se faz necessárias a presença do Administrador e que também assine no contrato social como o Administrador responsável. Uma Imposição da desburocratização. Os três, contatados e contratados o passo seguinte: Ir até o contador para levar a documentação. Nesta oportunidade o Sr. Armando, o contador, lhe mostrou a lista atualizada da documentação necessária ao registro na Junta do Comércio, obedecendo ao espírito da nova ordem vigente no país:

1. Registro no cadastro geral de pessoa física;

2. Registro no PCI – o cadastro de Pagador Cativo de Impostos. (uma espécie de adendo do item anterior);

3. Registro de identidade;

4. Certidão de nascimento, para provar que o interessado nasceu e que existe;

5. Atestado de bons antecedentes;

6. Título de eleitor;

7. Certidão de alistamento militar;

8. Certidão de baixa militar se foi incorporado, caso contrário o certificado de dispensa;

9. Certidão da ultima internação hospitalar. Se houver;

10. Certidão da última alta hospitalar. Se houver;

11. Certidão negativa de débito com a previdência e aposentadoria social;

12. Certidão negativa de débito com o governo Federal;

13. Certidão negativa de débito com o Estado;

14. Certidão negativa de débito com o Município;

15. Certidão positiva de casamento, se casado;

16. Certidão positiva que é mentalmente capaz;

17. Certidão de residência;

18. Certidão positiva de alfabetização. Caso contrário o título de eleitor serve;

19. Certidão, que será definida qual, depois de compridas todas as fases do registro;

20. Três fotos 3x4. Caso a pessoa seja portadora de bigode e/ou barba, é necessário um atestado da delegacia de policia, juntando mais três fotos sem os aparatos faciais;

21. Contrato social digitalizado em papel A4, fonte 12, espaço 1,5 e que não conste em nenhuma parte do contrato as palavras: rápido, eficiente e normal. (Estas palavras sugerem indiretamente uma ofensa aos órgãos desburocratizados do país). No mínimo duas e no máximo dez páginas.

22. É proibida a participação de sócios cônjuges; A exceção dos divorciados litigiosamente, deste que mediante a apresentação de uma declaração da mãe do cônjuge, confirmando o estado de litígio, abonada por assistente social juramentado(a) do Fórum da Comarca sede da empresa e três testemunhas não filiais aos ex-conjuges. Todas as assinaturas com firmas reconhecidas.

23. O contrato social deve levar as seguintes assinaturas;

  • Do(s) sócio(s)-diretor(es);
  • Do contador (como responsável contábil);
  • Do advogado (como responsável jurídico);
  • Do administrador (como responsável administrativo);
  • Do vizinho mais próximo ao endereço onde se situará a empresa (como responsável da atividade de caráter social da empresa);
  • Do Gerente do Banco, na qual o sócio diretor tenha conta. (Pedro Mauro como pessoa de reconhecimento público e com o aval dos consultores foi dispensado deste e do item 17).