sábado, setembro 09, 2006

O AVENTUREIRO DE ILUSION 5 (continuação do 4)

5 COMO FUNCIONAM AS LEIS, NUMA TERRA DE LEIS.

Pedro Mauro desistiu do jornal, dispensou o jornalista e indenizou os anunciantes. No mesmo dia que, foi entregue o pedido com as mercadorias.

Enquanto descarregavam o caminhão, do nada, chega um fiscal da Receita do Estado.

—O senhor tem as nota das mercadorias?

Sim. Pedro Mauro possui todas as notas fiscais. Ele pretende obedecer todas as regras da lei. Afinal, um dos motivos de abandonar suas aventuras, não fora o cansaço dos imprevístos a que se submetia nas aventuras em terras selvagens?

—Aqui esta!

—Hummm! Haa... Um erro! Anunciou o fiscal.

—Que erro??!!

—Aquela mercadoria não consta na nota fiscal. O fabricante não a classificou. O que é? Quis saber o fiscal, sobre o produto que apontou. Eram pequenos sacos plásticos contendo a instrução para o uso dos óculos de proteção contra a luz solar. Óculos especiais contra o excesso de claridade, quando refletida por gelos ou areias, como no sol forte, na praia. Os óculos, sim. Tinham suas respectivas notas fiscais.

—Elas são partes dos óculos. Falou Pedro Mauro. São as instruções para uso. Como evitar uso indevido, ensinando a não olhar diretamente para o sol e outras instruções.

—Mas a embalagem é uma mercadoria. Sentenciou o fiscal.

—Mas não é!

—Lamento! Tenho de aprender a mercadoria. As duas. A instrução e os óculos.

—Por quê?

—O fabricante não especificou na nota, que a mercadoria vinha acompanhada da instrução. Além do que, estão fora da embalagem da mercadoria. Estão todas apreendidas.

—O que!??? Todos o duzentos óculos??

—Sim. Até o fabricante emitir nova nota com a correção, a mercadoria “fica presa na delegacia fiscal.

—Não pode ser...!? O senhor deve estar cometendo algum engano.

—Posso prendê-lo por desacato.

—Não estou desacatando o senhor, Estou defendendo meu ponto de vista.

—E então?!. Isto não é desacato?

—Não. Não é!

—O senhor está preso!

—O que!!?????

Pegando o seu telefone celular o fiscal telefona para a delegacia de policia e pede ajuda para prender o autor de tamanha desfaçatez. Nisto o Pedro Mauro, se afasta, entra no seu carro e telefona para o advogado e ao contador.

—Muito bem. Você fique calmo, ele não pode mandar te prender por tão pouco. O fiscal provavelmente vai fazer a autuação, leia bem e assine, depois venha ao meu escritório. Disse o advogado.

—Esta bem.

—Você saiu do local? Pergunta o advogado.

—Não.

—Então aceite o auto de infração.

Com o raciocínio embotado, com o que esta acontecendo, Pedro Mauro saiu do carro e dirigiu-se até o fiscal que conversava outros dois ao lado das mercadorias apreendidas.

Os fiscais agiam como se não o tivessem visto. Permaneceu um momento de indecisão, até que Pedro Mauro resolveu falar.

—Meu advogado disse para eu assinar o auto de infração.

—Ainda estamos elaborando, desconfiamos que há outras infrações, uma vez que você fugiu.

—Eu não fugi, só fui até o carro.

—Não importa, você fugiu no momento de voz de prisão, agora estamos apreendendo todas as mercadorias.

—“???????!!!!!!!!”. Pedro Mauro, ligou novamente para o advogado.

—Doutor, eles estão apreendendo tudo e disseram que estou mesmo preso.

Pouco depois chegou a viatura da policia. O policial encaminhou-se até o fiscal, que apontou o Pedro Mauro.

—É o senhor o meliante? Perguntou o policial.

—Sou. ...Não!, Não sou um meliante, não sou criminoso. Quero apenas... (profundo suspiro)

—Vamos até a delegacia.

—Espere meu advogado vai chegar logo.

— Não posso. Não tenho tempo para ficar pajeando “engravatados”. Sou pago para fazer cumprir a lei. Vamos? Ou sou obrigado a levá-lo a força.

Pedro Mauro dirigiu-se a seu carro, quando o policial intercedeu.

—Na viatura! Ordenou, apontando ao carro da policia.

Foi o tempo de Pedro Mauro avisar ao advogado para qual delegacia estava sendo levado. E lá foi Pedro Mauro. O intrépido.

Sentia-se pior do que aquela vez que ficou preso numa tribo de canibais na Oceania. Naquela oportunidade, ele conseguiu convencer os nativos, que ele era um dos deuses da tribo.

Na delegacia, foi preenchido o boletim de ocorrência, sem a presença do fiscal. Pedro Mauro recusou a assinar até que o advogado chegasse. Logo que o advogado chegou, leu o boletim, fez um protesto verbal e pediu para falar com o delegado. O delegado, um amigo, compreendeu a situação, mas não pode ajudar. O boletim o acusou de agressão contra três fiscais do Estado. E um crime contra um órgão de arrecadação do Estado, é um crime hediondo. Contra ela nem um Juiz teria poder. O delegado aconselhou a assinar o boletim e submeter-se a prisão. Evidente era um excesso. Nada havia acontecido nenhuma agressão, física, ou verbal. Já eram cinco horas da tarde e teve inicio a mais degradante experiência de Pedro Mauro: preso numa jaula, ou melhor, numa cela de cadeia. Por amizade ao advogado, o delegado o colocou isolado dos demais presos.


No dia seguinte, o advogado voltou até a delegacia e pagou a fiança, estipulada em Quinze Mil Reais, valor que o Pedro Mauro o reembolsou. Livre, aproveitou a carona do advogado, que o levou até sua casa. No caminho ele lembrou-se, com saudades de quando foi picado por aquela cobra venenosa no Sri Lanka. Sua própria providência, em amarrar um torniquete acima do lugar da picada, foi sua salvação. Terras selvagens que Pedro Mauro sabia muito bem sobreviver. A continuação dos pensamentos, não podia ser interpretada por nenhuma das línguas faladas e nem mesmo as mortas, do planeta; nenhuma forma de comunicação desenvolvida pela civilização humana conseguiria entender a barafunda em andamento, no interior de sua caixa encefálica. Uma imensa tempestade elétrica, num vazio intelectual. Se fosse possível descrever a tormento que ocorreu no interior do seu celebro, seria possível entender o enigma do caos havido na criação do Universo. Uma incompreensão; no seu mais profundo sentindo.

Antes de ir para casa, Pedro Mauro resolveu passar pela loja. Pediu à Gracinda, que ela atendesse o movimento, até ele retornar. Antes de ir para casa, respondeu a um recado do contador, que o informou o valor da multa a ser paga. Cinqüenta óculos, cada um custando trinta reais, mais o percentual do imposto estadual de 30%, mais a multa, (o dobro do percentual do imposto). Total: Dois mil e Quatrocentos Reais. Depois de algumas instruções e pedidos para Gracinda, ele pegou o seu carro e foi para casa. Augusta já o esperava. Vendo Pedro Mauro, Augusta, uma médica psiquiatra, nota os sinais dos últimos acontecimentos, evidenciados na face do namorado. Ele envelheceu dez anos, em oito meses. Augusta acabou por convencê-lo a ficar em casa, ela mesma telefona para Gracinda e avisa que Pedro Mauro não voltaria mais ao trabalho naquele dia. O que Gracinda compreendeu, pois ela mesma já tinha dito o mesmo ao seu patrão. Já perto das onze horas, o Dr. Jacinto telefonou e contou que a acusação de agressão fora arquivada. Restou o pagamento do imposto, o recolhimento das multas e talvez alguns outros desembolsos, deveras misteriosos e tudo ficaria resolvido; tranqüilizou o advogado. Como se isto fosse possível. Uma acusação envolvendo um crime de agressão a agentes da arrecadação poderia ser convertida em crime hediondo. Disto Pedro Mauro, livrou-se.

Infâmias, traições, covardias, mentiras, qualquer um destes atos ou que fosse pior. Nenhum deles afetaria Pedro Mauro, tanto como, ele se sentia no momento. Os seus pensamentos projetam uma alma negra, sombria, tão sombria, que agora, nem uma legião dos companheiros de Mefistófeles se cotizariam para comprar-la. Mas preocupante era o seu silêncio. Pedro Mauro ficou calado seus olhos não transmitiam nenhuma impressão. O olhar: frio e distante.

Augusta telefonou para seu consultório e pediu para a secretária transferir as consultas agendadas para aquele dia, para outra data. O caso do Pedro Mauro era sério, por isto a prioridade. Saiu por uns momentos alugou alguns filmes e ao retornar, encontrou Pedro Mauro, já em pé, caminhando de um lado ao outro da sala, catatônico. Não se aquietava para nada. Uma fúria contida, uma panela de pressão preste a estourar. Quando em pé, ele queria deitar; deitado, queria sentar, sentado, levantar. Foi o suficiente para Augusta, transformar-se na profissional, que é. Desafia Pedro Mauro, chama-lhe a atenção e convocou sua forte personalidade. O tempo e uma boa refeição também ajudaram a acalmá-lo. Logo após as três da tarde, Pedro Mauro vai deitar; junto com ele Augusta. Só depois, já onze horas da noite, que Augusta sente a normalidade voltando para o Pedro Mauro. Depois de dormir nove horas seguidas as forças vitais começaram a responder. No início, para Pedro Mauro, sentiu um misto de sonho e realidade. “Colinas, são duas, de suaves, mas definidas curvas a sua frente, de onde parece correr um rio. Tem o sabor de leite e mel, correm para um vale. A geografia ainda tem outros contornos parecidos com os que a biologia dotou à espécie feminina. Tudo foi devidamente galgado, explorado e vencido”. Pedro Mauro acalmou-se. Foi real. A conseqüência desta noite nasceria em nove meses.

Na manhã, Pedro Mauro, acordou mais disposto e decidido a encarar os obstáculos. Levantou antes de Augusta, toma o café da manhã e se despede com um beijo na face. Ela ainda dorme.

O ESTACIONAMENTO

Passaram-se três meses após a apreensão dos óculos, a loja agora passou a contar com mais dois novos funcionários; um ajudante no balcão e outro, auxiliar de escritório e Pedro Mauro ainda tenta a liberação dos óculos, sem sucesso. Em todas tentativas, tinha alguma justificativa. Uma vez: a falta alguma documentação, outra, a falta de recolhimento de alguma taxa, na outra, uma declaração, como aquela que lhe foi pedida, que informasse: “Que o dono da mercadoria apreendida se encontra, realmente, em solo nacional”. Numa outra, depois de compridos todos os procedimentos, a mercadoria não foi encontrada nos depósitos da receita e na última não encontraram nem os óculos, nem o auto de atuação. Simplesmente, nada. Nem se tem conhecimento da apreensão, nem da autuação. Nesta oportunidade, Pedro Mauro apresentou a sua via da autuação. Por pouco que não foi preso. Motivo: suspeitaram que a via fosse falsa. O contador, o advogado e o próprio Pedro Mauro, levaram muito tempo, até que desistiram, tentando descobrir que vantagem ele teria em pagar a multa com uma via falsa de autuação. A repartição, simplesmente não encontrou documento algum do ato. O prejuízo estava realizado. Entre o preço do produto, o imposto e a multa: Dois mil e quatrocentos Reais. Enfim, era a vida correndo normalmente, para um empresário numa terra de leis. Pedro Mauro retém gravado em sua memória o dia em que ele perdeu a mochila com o GPS, bússolas, mapas e outros apetrechos de Sobrevivência, no interior da selva nas Filipinas. Seu senso de orientação e força de vontade o levou a acompanhar o curso das águas, até a foz do rio no litoral, seguindo daí, ao encontro de uma vila de pescadores. A aventura durou oito longos dias. Sobreviveu alimentando-se com o que a selva fornecia: a caça e frutos. Respeitou e foi respeitado pela selva. Lá, era o seu habitat. Aqui, descobriu, ele não passa de um alienígena num planeta hostil.

Enquanto ocorria a questão dos óculos, o imóvel vizinho ao lado do estacionamento da loja foi locado para um “café bar”: O AVENIDA BOULEVARD. Pedro Mauro e Gracinda foram convidados para a festa da inauguração. Convite extensivo a Augusta. O ambiente acolhedor, bebidas e comidas de primeira. Bom atendimento e ótima freqüência. Pedro Mauro acabou conhecendo os proprietários, o Amadeu e o Juarez, facilitando com isto a um acordo sobre o uso do pátio de estacionamento da loja do Pedro Mauro.

Pedro Mauro concordou em deixar o pátio livre aos os fregueses do café AVENIDA BOULEVARD, no período noturno. Isto depois do sim do proprietário do imóvel. Dois dias após a inauguração, já passados da meia noite, quatro ladrões roubaram dois carros de luxos pertencentes a fregueses do estacionamento do “Café”. No momento que o proprietário de um dos veículos apareceu e tentou impedir a ação, acabando recebendo um tiro, cuja bala trespassou próximo ao pulmão. Deixando-o ferido.

Por se um local freqüentado por pessoas de bom nível de renda, a policia chegou rápido. O ferido foi encaminhado ao hospital, em estado grave e os carros sumiram.

Pela manhã, Pedro Mauro chegou para mais um dia de trabalho, ainda sem saber do fato, abriu a loja, logo depois chegou a Gracinda; parecia que seria mais um dia normal. Engano. Perto das dez e meia estacionou um carro Gol, da policia. Dois homens desceram e começaram a perscrutar em volta do estacionamento. Um deles com uma prancheta na mão fazendo anotações. Gracinda notou os dois e comentou com Pedro Mauro a atitude dos policias. —O que será que perderam?

Também, curioso, Pedro Mauro foi ao encontro deles. Ao chegar próximo, eles estavam agachados perto de uma marca de pneus deixada no chão por alguém que arrancara com o motor em alta rotação

Bom dia. Disse-lhes Pedro Mauro. A resposta sucinta dos dois foi um olhar, significativo: você esta atrapalhando.

—Algo errado?

—Quem é o senhor? Foi a pergunta, no lugar da resposta.

—A loja aqui ao lado é minha. O estacionamento serve a minha loja. Disse Pedro Mauro. Um pouco mais curioso agora.

Os policiais acabaram por contar ao Pedro Mauro o caso do roubo dos carros e o ferimento de uma vitima. Anotaram o nome e os dados do Pedro Mauro, fizeram algumas perguntas sobre o estacionamento e logo foram embora. Eram investigadores da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, situada no outro lado da cidade. Há uma delegacia próxima, a uma distância de uma quadra e meia loja, mas é uma Delegacia de “Proteção” aos Bens Roubados de Interior de Veículos. Não se envolve, com roubos “de” veículos.

O “café bar” ainda estava fechado, só abriria a tarde, depois das sete horas da noite, assim Pedro Mauro, que sempre encerrava sua atividade comercial depois deste horário, pode, ao final do dia conversar com os vizinhos do café e saber com mais detalhes o que havia acontecido.

Contaram-lhe a mesma versão dos policiais, lamentaram o fato e conversaram sobre a insegurança provocada pela violência, que corria a solta. Temiam pelo seu negócio. Logo na semana da inauguração, e acontece aquilo. Ainda bem que o ferido, apesar da gravidade do ferimento e estar na UTI, tinha o seu estado de saúde estável. Contaram ainda que providenciaram a assistência à família da vitima, na medida de suas possibilidades.

Nem trinta dias se passaram do quando o inesperado. Pedro Mauro é intimado a comparecer a Delegacia Roubos e Furtos de Veículos. A intimação dizia: “Apresentar-se na Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos dia 17 às dez horas da manhã”.

No dia marcado, quinze minutos antes da hora, Pedro Mauro chegou a delegacia, junto com os vizinhos. Nem um deles fez-se acompanhar por advogado. Apenas consultaram os seus que os aconselharam, no caso de algo mais sério, a telefonar-lhes.

O primeiro a ser chamado, foi o Amadeu. Depois de uma hora, conversando com o delegado, o Amadeu sai. Juarez foi o próximo. Igualmente, uma hora. É a vez do Pedro Mauro. Tudo ocorreu normal e sem surpresas. O delegado queria saber sobre os seus vizinhos, se já observará alguém em atitudes suspeitas perto da loja, coisas deste tipo. Agradeceu ao Pedro Mauro e o dispensou. Amadeu e Juarez ficaram ainda mais um pouco para tentar reconhecer os ladrões pelo álbum de fotografias da policia. Mas nada descobriram.

Após dois meses. Pedro Mauro recebeu nova intimação. Desta vez Judicial. “Favor comparecer ao Fórum da Cidade sito a Rua da Calamidade, s/nº, na 2ª Vara, no dia 25 de Janeiro, deste ano, às 16:00h”. Era o que dizia o “convite”. Telefonou para Dr. Jacinto contando sobre a intimação e foi aconselhado ficar tranqüilo e esperar até o dia; e evidentemente, comparecer na data marcada. O advogado pediu ainda, para lembrá-lo no dia pela manhã, que iria o acompanhara-lo.

Chegou o dia, a primeira providência do Pedro Mauro depois de abrir a loja, foi telefonar ao advogado e combinarem o encontro na porta do Fórum quinze minutos antes do horário marcado. Chegando ao Fórum, o Dr. Jacinto já tinha a informação sobre o motivo da intimação. O poder judiciário estava responsabilizando-o e aos vizinhos do AVENIDA BOULEVARD, pelo ferimento da vitima do assalto e pelos próprios veículos roubados. Os ladrões? Não. Considerando que a policia não os identificara e muito menos conseguira prende-los, os empresários seriam responsabilizados e enquadrados em substituição, por crime culposo. Deveriam os empresários, por “obrigação social”, ter evitado o assalto. Considerando, principalmente, que um dos carros roubados era o veículo de uso oficial do deputado federal Josué Alameda. Não importa aqui o detalhe como; o que o veículo oficial do deputado que não poderia estar circulando fora da capital federal e por ser um veículo de uso exclusivamente na capital Federal. E o que o deputado fazia no AVENIDA BOULEVARD, porque naquele mesmo dia respondeu a chamada de presença da sessão noturna da câmara às dezessete horas e, como a sessão só terminou à uma hora da madrugada do dia seguinte, não havia como sua excelência estar em dois lugares ao mesmo tempo (a não ser que ele tivesse instituído uma nova lei da Física Quantica). Isto, contudo em nada mudaria a situação dos acusados, cujas acusações iam, deste, Pedro Mauro não ter impedido a presença de pessoas armadas, com metralhadoras, no pátio do estacionamento, até a sua colaboração com o crime, por ter emprestado o pátio para uso dos clientes do café bar. O AVENIDA BOULEVARD e seus sócios foram acusados por não preverem o crime e por corroborarem com a atitude criminosa de Pedro Mauro. Mesmo existindo uma Delegacia no bairro o policiamento era reduzido. A região estava desprotegida. As leis? Sim, aos montes. Policiamento? Nada. Daí a facilidade dos bandidos em escolher o local para o roubo.

Pedro Mauro refutou todas as acusações e assinou o inquérito mediante insistência do Dr. Armando, com uma observação de protesto do advogado. Foi liberado mediante o pagamento de Cem mil Reais. O valor estipulado foi alto, por ser o Pedro Mauro um empresário, o que por si só, quase se configura um crime, no país.

A data do julgamento chegou rápida e a defesa do advogado não ajudou muito na inocência de Pedro Mauro. Ele alegou, entre outras, a seguinte tese:

“O combate ao crime organizado, é prerrogativa e, principalmente: de responsabilidade exclusiva do Estado. O cidadão comum, ou até mesmo uma pessoa jurídica, não tem como se armar nas mesmas condições de respostas num confronto com gangues armadas, uma vez que suas armas são de alto poder de fogo, como metralhadoras e até granadas. Um cidadão não possui o treinamento para este tipo de ação, muito menos é legal tal atitude. A necessária investigação é por si só, de difícil realização e tem de ser conduzidas por pessoas aptas. A contratação de uma empresa especializada em segurança e investigação, também não seria a solução no caso. Também estas, têm suas limitações e principalmente custam caro. Sobrepujando estes argumentos, o último: todos os cidadãos e empresas pagam impostos para o Estado prover a segurança. Então como poderia o meu cliente, proprietário de uma loja, prever e impedir uma ação agressiva e armada?”

Nada adiantou. Foi sentenciado com três anos de detenção e mais ao pagamento de Cinqüenta Mil Reais. A sentença só não foi maior, pelo beneficio da duvida, considerando que ele não conhecia os criminosos e que, apenas facilitou o crime. O proprietário do imóvel em outra sentença foi condenado a uma multa de Cento e cinqüenta mil Reais. Foi responsabilizado ser o proprietário dos imóveis e por não destina-lo para o uso social; com o de servir de abrigo para os próprios criminosos, considerados como agentes sociais. Uma teoria parecida com a de Robin Hood, romance, por sinal abolido do território do país, por ser literatura inglesa.

Pedro Mauro cumpriu seis meses e foi liberado pelas comutações da pena. Corria, e ainda corre um processo movido pelo deputado contra Pedro Mauro, contra o Amadeu e o Juarez e o proprietário do imóvel pedindo uma indenização por danos materiais, físicos e morais sofridos pelo ilustre deputado. A vitima do tiro, passa bem e já se encontra no quarto de enfermaria. A família recebeu o seguro do veículo roubado e o seguro contra acidentes pessoais, que a seguradora pagou sem muita complicação.

Quem acabou ganhando, até mais que os próprios ladrões? O deputado.

Enquanto isto, a loja ficou sob os cuidados da Gracinda. Com habilidade e zelo ela atendeu os negócios. Seguiu todas as instruções que o patrão lhe enviou, enquanto preso. As comunicações com o exterior da prisão, é concessão dada aos bandidos organizados. Além deles ninguém mais tem permissão de usar celular ou receber visitas intimas. Apenas nos Domingos era permitida a visita e Pedro Mauro não permitiu que Gracinda perdesse o descanso do Domingo, por isto ele passava as instruções para Augusta e esta as transmitia para Gracinda. Contudo a presença do dono, sempre faz falta. As decisões de importâncias; O que comprar? Um desconto importante a um bom freguês? O destino do dinheiro, mesmo considerando que este esteve aos cuidados de Dona Gertrude, a mãe de Pedro. A empresa foi abalada, principalmente por ser pequena e por tantos problemas. As constantes e semanais fiscalizações realizadas pelos fiscais da Receita Republicana, só ajudaram a agravar a situação. Qualquer dúvida se transformou em pendengas jurídicas. Nem o Sr. Armando, conseguiu administrar os desmandos cometidos.

Uma outra “ação social” acabou por piorar o que já era difícil para um empreendimento no seu nascedouro e desgastado por conseqüência da primeira “ação social”: a prisão do seu proprietário pelo o assalto ocorrido no estacionamento.

Os “Sem Telhas” invadiram o estacionamento.

Um pouco antes da soltura de Pedro Mauro, um sindicalista chamado Luís José, liderando uma dezena de famílias, invadiu o estacionamento, alegando que o terreno não cumpria sua função social e ainda servirá como palco de crime. Armaram as barracas, e passaram a cobrar pedágio dos clientes da loja e do Café Bar.

Assim que Pedro Mauro foi solto, os destelhados resolveram armar piquetes em frente as portas de acesso da loja e invadiram, também o “café bar”. Luís José, sendo o líder, tinha preferência para a mesa principal.

No meio deste turbilhão, duas semanas depois de libertado, nasceu Gastão, um bonito e robusto rebento para emoção do agora desgastado Pedro Mauro.

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