sábado, setembro 23, 2006

O AVENTUREIRO DE ILUSION - 6 FINAL

O BEBÊ INFRATOR

Para entender os acontecimentos a seguir, cabe registrar que Augusta vinha sendo investigada e vigiada pela policia a algum tempo. O costume que ela tinha, de andar com os vidros do carro abertos e o seu descuido ao carregar as suas bolsas, conflitavam com as novas normas de segurança, e passaram a configurar como pré-crime. No intuito de combater a onda de crimes sociais, as autoridades resolveram ir ao âmago do problema. Determinaram aos seus comandados para mudarem os procedimentos; passando de agora em diante a contar estatisticamente e a vigiar os cidadãos que induzem os assaltantes, na nova visão da República Social, as vítimas, ao assalto e ao roubo. É fácil entender esta decisão. O cidadão que possuir bens já constitui uma ameaça ao Estado. Soma-se a isto, o fato dele fazer demonstração publica da posse, insultando desta forma os agentes sociais, como são denominados os bandidos na nova Republica Social. Assim um motorista que, enquanto dirige, mantiver os vidros abertos, evidentemente passa a ser um agente provocador e facilitador do crime: ele tem a posse do bem desejado pelo agente social e ainda o insultou, mantendo os vidros do seu veículo abertos expondo a posse do patrimônio. Pelo uso da bolsa da Augusta, o mesmo motivo. Uma mulher que não cuida da sua própria bolsa, caracteriza a mesma agressão social. O bandido, nesta nova era, passa a ter outra função na sociedade. Ele é um agente distribuidor de riquezas. Entender este ponto de vista, é um pouco complicado para quem não está “aculturado” com a nova era. Esta nova sistemática de policiamento tem como vantagem marginal a possibilidade dos chefes e autoridades de segurança comparecer aos programas de televisão e entrevistas para jornais, propagar suas novas diretivas e mostrar à sociedade as verdadeiras faces do crime.

Antes de retornar aos infortúnios do Pedro Mauro, um comentário sobre as vicissitudes da vida. É sabido, pelos técnicos especializados em catástrofes, que acidentes são precedido por uma série de fatores fatídicos alguns aleatórios, outros não; uma seqüência prévia de incidentes e acidentes, erros de avaliação e até fatores externos não administráveis, acabam culminando no desastre.

Dr Jacinto é muito cônscio da sua profissão. De tempos em tempos ele faz uma pesquisa sobre a situação jurídica de seus clientes. Numa destas pesquisas, o nome do Pedro Mauro apareceu como responsável pai do Gastão. Afinal é o pai e o Estado esta movendo uma ação contra o bebe Gastão.

Pela decisão do “guardião da nova era Republicana”, equivalente ao cargo de Ministro da Justiça, no nosso país, o bebê deveria ser afastado dos pais, para “descontaminação do vírus anti-republicano’. Gastão foi enquadrado na lei do menor, no artigo do “recém-nascido infrator”. Sendo ele filho de pai empresário e de mãe envolvida na problemática do comportamento social, responde por este crime, cuja pena é o afastamento da influência dos pais. No novo conceito, todos os adolescentes infratores entre quinze e dezoito anos não serão mais submetidos a infrações, uma vez que tornaram-se Agentes Sociais, da mesma forma que os criminosos maiores de idade. Foram soltos e os reformatórios e casas de apoio que lhes eram destinados passaram a servir de Creches para Recém Nascidos Infratores.

O envolvimento de Gastão com o crime que teve inicio, quando sua mãe, Augusta foi flagrada dirigindo com o vidro do carro aberto e logo depois de caminhar sem prestar a menor atenção com a sua bolsa, foi agravado pelo fato de ser filho de um empresário; Pedro Mauro, agora conhecido nos porões do regime da nova era como um perturbador da estabilidade social. Logo que avisados pelo do fato Dr. Jacinto, Pedro Mauro e Augusta tomaram uma decisão. Augusta pressionou. Vamos fugir do país.

Foi o último evento da série que precederia o desastre, caso não tomassem alguma atitude perderiam o filho, para a nova educação “social-republicana”. No dia seguinte ao da decisão, Pedro Mauro iniciou os preparativos para a fuga. Pagou os funcionários e fornecedores, acrescentando um valor maior que o devido. Para Gracinda a quantia foi maior, motivada pela confiança adquirida com ela, considerada como amiga da família. Teve uma participação importante no auxílio da fuga. Estas providências consumiram três dias, No quarto, Pedro Mauro convidou para um jantar, os amigos e ex-colegas de aventuras foi a senha para o plano de fuga. Durante o jantar explicou o que estava acontecendo e pediu ajuda. A idéia inicial do Pedro Mauro é a de simplesmente fugir, pegar o avião enquanto podem, antes que o braço policial do Estado alcance e efetue a prisão do Gastão.

Após muita discussão, decidem que a melhor saída, seria por via marítima. Um navio cargueiro foi o escolhido. Os aventureiros acostumados com improvisações, muitas vezes acabam conhecendo e se relacionando com pessoas de diversas atividades. Foi assim que Julio Almeida conhecia o Capitão Willian. Um Neozelandês do “Blue Sea”. Uma embarcação que faz a rota América do Sul, contorna a África pelo Cabo da Boa Esperança e segue para a Ásia, passando pela Oceania.

Um casal e seu filho recém nascido. Foi esta a informação sobre as pessoas que ele iria transportar. O nome do Pedro Mauro afastou o receio do velho marinheiro de envolver-se com trafico de crianças ou drogas. Assim que foi explicado o motivo da fuga e acertado o custo, na realidade o capitão cobrou apenas um valor para cobrir as despesas com alimentação ficou combinado à data e hora. Seria na mesma noite. O navio terminaria de receber sua carga, grãos e farelos e na madrugada, zarparia. Entre dez e onze horas da noite, o capitão estaria na proa e Pedro Mauro embarcaria pelo acesso de proa, vigiado pelo capitão. O comandante que tinha o habito de ler as notícias de jornais sobre o país em que fazia escala. Ele tem noção do mote da fuga. E este país tem sido, nos últimos tempos, muito exótico em suas decisões políticas e, mais ainda por seus mandatários. Esta era a conclusão do capitão sobre o país do Pedro Mauro.

O plano é simples. Augusta e Pedro Mauro, ainda têm alguns dias, até que a lei cumpra a exigências legais, que paradoxalmente também é vitima da besta burocrática. Ás dez horas da noite, coloca põem o plano em ação. Para despistar eventuais olhares de vizinhos que poderiam serem obrigados a delatar os movimentos da família em eventuais depoimentos, se chamados pelas autoridades da Republica Social. Assim resolvem montar uma pequena farsa. Enquanto os demais companheiros do grupo e mais um casal com uma criança, simularão Augusta, Pedro Mauro e o filho. Os falsos, saem como se fossem á praia; Um sarau noturno na praia. Augusta, Pedro Mauro e a criança, os verdadeiros e mais o amigo Juca, como motorista, saem logo após pela porta dos fundos e entram numa van de entrega de água mineral, proprietário de um do grupo, e se dirigiram ao porto, ao Blue Sea, o navio da fuga. Destino final Samoa.

No caminho ao porto, a cabeça do Pedro Mauro era um turbilhão. Não é fácil à uma pessoa, do feitio dele aceitar uma derrota. Um sepulcral silêncio os acompanhou até a chegada ao porto. Neste exato momento, ele vira-se para Augusta e falou:

—Não quero fugir. Vamos lutar!

—C...como? A única palavra que ela conseguiu pronunciar.

Tenho um plano. E pede para que ela confie nele.


Juca, que ouviu tudo, aprovou silenciosamente e não poderia ser diferente.

Chegam ao navio, mais só descem Pedro Paulo e Juca. Depois de uma rápida explicação e do pagamento pelas eventuais despesas, ao capitão Blue Sea, eles retornam a van. Ao chegarem ao local na praia onde os demais os esperavam, explicaram novamente o novo plano. Logo contestado por Joaquim, um dos participantes.

—Se você vai mesmo fazer isto, faça de forma definitiva. Diz o Joaquim.

—Um simples desaparecimento, faria que fossem procurar vocês e localizar-los. Não devemos arriscar.

—E o que você sugere. Perguntou Augusta.

—Deve “parecer” um seqüestro e se possível com a morte de vocês três. Sentenciou Joaquim. — Mas não um seqüestro corriqueiro, como estes que acontecem todos os dias. Minha idéia é que vocês devem sumir por completo.

—Mas não queremos ir embora. Por isto desistimos da viagem. Augusta, muito interessada no seu futuro.

—Acho que um passeio pela selva seria de bom tamanho. Só que não voltaram mais como Pedro Mauro e Augusta. Voltam com novas identidades. Sei quem pode fazer novos documentos para vocês.

Mais discussões, desta vez menos calorosa. Parece haver entre os amigos do casal uma unanimidade. Decidido o que fazer é a hora de executar. Todos retornam à casa, muitas coisas a serem feitas.

No dia seguinte, Pedro Mauro prepara duas mochilas: uma com as roupas dos eminentes degredados e mais alguns documentos. A outra com roupas novas, arranjadas pelo grupo, roupas usadas, para não levantarem suspeitas. Um exame por algum fiscal mais experto poderia incriminá-los. Afinal a idéia é retornarem desconhecidos e sem chamarem a atenção. Joaquim, que se revela um grande conspirador, concorda em continuar na ventura. Joaquim conhece um português, também aventureiro, mas com uma habilidade além a mais, além da exploração de trilhas. Ele tem uma boa aptidão em materializar documentos. Não foram poucos os grupos de exploradores, salvos pelos documentos milagrosamente providenciados em meio a um tumulto e até no meio de guerras civis. Muitas vezes os ocidentais não são bem vistos por determinadas doutrinas e o ambiente de guerra, é muito propicio para dar vazão aos recalques dos nativos. Um documento de identidade trocando a nacionalidade pode ser providencial nestes momentos. É onde entra o Rubens Pena, conhecido apenas como o “português oficial”.

O plano consiste numa viagem para pescaria de lazer no Rio do Escuro. Sabe-se que os ribeirinhos costumam pescar alis, mas não é comum alguém subir o rio para uma pescaria esportiva, principalmente levando seu filho recém nascido.

Depois de contatar o “português-oficial”, ficou com o Joaquim, também a tarefa de juntamente outros dois, irem até a Bolivariana. Bolivariana faz fronteira ao norte com o país do Pedro Mauro, e é a nascente rio Escuro. De lá, eles descem o rio até o ponto onde Pedro Mauro e sua família estaria esperando.

Joaquim convocou dois amigos que dão apoio nas viagens de Joaquim pelo mundo; Marco e Valêncio e pegaram o avião com destino à Bolivariana, onde compraram um barco, destes de borracha, com capacidade de quatro lugares. No dia seguinte se dirigiram até a fronteira, local onde o rio Escuro, ainda dentro do território bolivanense, já é navegável. Colocaram o barco na água e desceram o rio, chegando no local combinado meio dia antes, da chegada do Pedro e família.

Pedro chegou a Castanhal, uma cidade as margens do rio no mesmo dia que Joaquim chegou em Boliviana. Numa clareira entre Castanhal e Ribeirão, encontrou Maximiliano, um fazendeiro, velho conhecido de outras excursões e detalhou o que já havia antecipado por telefone. Ficou acertado que voltariam a se encontrar numa clareira entre Castanhal e Ribeirão, uns cinco quilômetros depois de Ribeirão, descendo o rio. Foi indicação do próprio Maximiliano, conhecedor do lugar.

—Quando estiverem voltando, meia hora, depois de passarem por Ribeirão, fiquem de olhos abertos e atentos para a margem a esquerda. Vou acampar ali e deixarei uma lâmpada acessa, acionada a bateria perto da margem do rio, Não tem como vocês não a verem. Estarei ali a partir na noite do segundo dia, a partir de hoje ficou assim estabelecido por Maximiliano. Combinado o encontro da volta, deixaram Maximiliano e alugaram um jipe. Pedro Mauro comprou o material para pesca e dirigiu até a vila Ribeirão do Escuro, o ponto zero. A viagem entre a cidade e a vila levou duas horas. Chegando em Ribeirão do Escuro, não se preocupam em com dissimular suas presenças. Durante o dia passeiam pela pequena vila, mostram-se a todos, compram algumas iscas para pescaria e não esconderam, nada, dos seus intentos. O que chamou a atenção dos ribeirinhos foi o fato de gente do sul, subir o rio com uma criança, num bote alugado, para pescar.

No dia seguinte, cedo, Pedro Mauro e Augusta alugam um barco, como haviam combinado na tarde anterior e rumam rio acima. Chegando do local planejado, já no anoitecer. A criança muito chorosa, pela agitação da viagem, mesmo herdando a genética do pai. Cumprimentam e agradecem ao Joaquim e os dois companheiros que já haviam acendido o fogo e preparado a refeição, e decidem descansar e acalmar a criança. Augusta da mesma forma sente a penalidade imposta pelo sacrifício da viagem, mas a atenção ao filho é maior afinal é mãe, antes de médica. Tinha se prevenido com alguns reforços alimentares e vitaminas para ela e para o filho.

Antes de deitar, Pedro Mauro observa a criança e a mulher, os dois conseguiram dormir, bem como os demais companheiros. Cansado, mesmo assim ele não consegue dormir; sente-se intranqüilo, o que imagina ser devido ao cansaço. De repente, como uma faísca elétrica nos neurônios, se da conta que desta vez, está acampado no meio da selva, não por vontade própria, numa expedição ou no auxilio de alguma exploração científica. Desta fez não. Está em meio a uma fuga e, pior, levando consigo o filho e Augusta. Ele os colocou nesta situação. Nem mesmo o fato que Augusta, também ser vítima de perseguições; ele se culpa. Vai procurar nas suas memórias algo para confortá-lo, e nada. Seus pensamentos correm para Deus; mas a realidade é que se impõem, Consegue lembrar que viveu o tempo suficiente em meio a natureza, para saber que ela guarda uma triste verdade. A beleza, quando olhada a distância; bonitas paisagens, faunas e floras magníficas. Mas quando se olha de perto, a natureza mostra sua terrível particularidade: A lei da sobrevivência, a cadeia alimentar. Quem já teve a oportunidade de ver um pequeno animal acuado, sabe o que é viver sobre constante medo, pavor. E quando consegue escapar da fúria do caçador, permanece em contínua tensão. Isto não é instinto. Isto é a compreensão da vida no seu mais profundo pavor. Isto é emoção. É o medo. Pedro Mauro, não chora. Não porque isto seja coisa de fracos, ele não chora, por que não sabe. Não tem acolhida em Deus. Uma dura noite. Pensa nos últimos acontecimentos e descobre que os inimigos, que nem sabia de suas existência, agora os têm. Nas altas horas da noite, em meio a selva e deitado em seu “saco de dormir”, ele ouve os ruídos característicos da mata e dos pensamentos. Compreendeu tardiamente:

O “que diabos”, o senhor Armando, o contador quis lhe dizer, quando da primeira conversa para formalizar a loja.

Ao amanhecer depois de um café reforçado, preparam o barco, tiram da sacola, algumas das peças de roupas preparadas com esta finalidade e as espalharam no interior do barco e na margem do rio, além de alguns documentos. Como se tivessem sido remexidos a procura de algo.

Terminada montagem da cena de despiste, Joaquim entrega os novos documentos, confeccionados pelo “português oficial” e que apanhou numa escala, na mesma viagem ao Bolivariana. Pedro Mauro, Augusta e a criança, agora, têm nova identidade. Roberto, Marina e o pequeno José, novas identidades, nova vida.

Embarcam no barco que o Joaquim, e seus companheiros alugaram em Bolivariana, deixando o barco da encenação como parte do palco do ato da última cena da família do Pedro Mauro como cidadãos, simulando um vil seqüestro Iniciam a descida do rio, levados pelo motor de popa e pela correnteza favorável. Às quatro horas da tarde, próximos da vila Ribeirão do Escuro, resolvem descer na margem oposta e acampar ali, estão a dois quilômetros acima da vila. Horas agitadas e de ansiedade, um pouco devido ao calor e umidade, outro tanto pela expectativa do final a viagem. A criança intercalou sono com choramingo. Quando chegou às dez da noite, embarcam novamente, agora levados apenas pelo sabor da correnteza, os remos sendo usados como leme, não permitindo uma aproximação demasiada às margens. Já perto da meia noite notaram as luzes da vila, a esquerda. Seriam fugazes em outros lugares, ali na mata, no entanto, marcam forte presença. Alguns minutos depois ligam o motor do barco e navegam por mais uma hora, chegam a uma nova clareira.

Chegou a hora de se despedirem do Joaquim e de MARCO E VELÊNCIO, que retornam ao barco para sua viagem de regresso, subindo o rio. Quando alcançarem a vila de Ribeirão do Escuro, pela segunda vez na noite, desligaram o motor e passaram a remar, contra a correnteza. Sem a mínima intenção de chamar a atenção com o barulho. Daí o motivo para trazer mais dois acompanhantes. Cinco quilômetros acima acionaram novamente o motor e seguiram, para uma viagem de oito horas, agora, para a fronteira não vigiada com Bolivariana. De lá Joaquim retornará ao país, de avião. Sua parte no plano foi penosa, mais completada. Daqui em diante, será o fazendeiro Maximiliano que conduzira os faragidos até Visionaria, uma cidade á dois mil quilômetros ao sul. Serão quase três dias de viagem. O lado bom: o carro do Maximiliano é uma moderna van e bem espaçosa.

Agora a segunda fase. Soar o alarme do desaparecimento e assim tirar Pedro Mauro, agora apenas Mauro e família, do foco das injustas leis do país deles. O destino dos seus bens, o que restou do estoque da loja, os móveis, tudo o que a voraz saga tributária abocanhar, será o botim que o Estado esquartejará. O que conseguiu salvar será usado para a nova vida.

—Voltemos à “mãe” natureza. Pensa Pedro Mauro.

TEMOR OU RESPEITO À LEI

O país de Pedro Mauro, agora Roberto, tem uma extensa faixa de fronteiras com outros paises. Em uma destas fronteiras, a divisa com Guaraniaçu foi construída uma ponte ligando os dois países; batizada como a Ponte Amiga. Guaraniaçu tem uma economia marcada pelo comércio de produtos de diversas nacionalidades. É através da ponte que, muitos sobreviventes do inferno estatizante do país, a cruzam com a finalidade de comprar mercadorias que, depois no retorno, serão vendidas no mercado informal. É uma atividade tão ruim para a economia nacional, como para as próprias pessoas que atuam nesta informalidade. Mas não lhes sobra alternativa; por tanto a travessia da Ponte Amiga, é a única solução. Formam-se grandes filas de ônibus, trazendo os pacoteiros; assim conhecidos os que vivem deste comércio, agora, com mais um a engrossar as fileiras deste exército.

As autoridades tributárias e de segurança fazem muito alarde contra este tipo de comércio, usam-no como prática diversionista, para tirar os verdadeiros criminosos que se utilizam desta via, para o contrabando de armas e drogas, do foco da atenção. Na maioria das vezes aprendem somente as mercadorias dos pacoteiros, quase nunca armas ou drogas das grandes quadrilhas, estas, muitas vezes com algum vínculo não muito bem explicado com as autoridades da Nova República. Mesmo assim, não diminui o volume deste comércio, ao contrario. Ele aumenta. O sistema econômico imposto pelo governo os empurra para isto. Mauro preferiu esta opção, a simplesmente fugir do país.

Pedro Mauro, quando imaginou esta opção de vida, imediatamente pensou em Gracinda. Ele sabia que não poderia atravessar a ponte, seria identificado pelas autoridades. Assim resolveu procurar a antiga secretária, para propor-lhe uma sociedade. Ela, Gracinda, atravessaria a fronteira para fazer as e providenciar o transporte da mercadoria. Roberto já tinha arquitetado o plano. Seus contatos ajudaram, pouco mais ajudaram. O convite à Gracinda foi feito onde Pedro Mauro a localizou, no velório do seu último patrão. Ele suicidou-se, depois de algumas diferenças de opiniões, ocorridas com autoridades tributárias.

Muito feliz. Gracinda aceitou a oferta. E mais uma empresa, informal tem inicio no país das leis.

Os ex-vizinhos do Café Bopulevard, Amadeu e Juarez fugiram para os Estados Unidos. Preferiram arriscar suas vidas na travessia da fronteira, pelo México. Alguns meses depois de instalados nas terras do Tio Sam, chamaram suas famílias.

O livro que Pedro Mauro pretende publicar, o será, usando de um pseudônimo. Evidente que ele não poderá assinar seu próprio nome. Assim no prefácio e de forma indireta e sub-repticiamente, ele tenta explicar sua decisão de permanecer no país. O texto não é definitivo, mesmo transmitido a mensagem pretendida, Pedro Mauro; Roberto, pretende achar um sentido menos piegas:

“Ninguém deve se deixar vencer, por concepções de Estado tão vis que coloquem “normas quaisquer” de governo, disfarçadas de leis ou de éticas sociais, acima das obrigações e, principalmente, dos direitos do individuo. Quem aprendeu a sobreviver na selva, onde a pessoa só será vencida se ela desrespeitar as leis básicas da natureza, então aprenderá a conviver com os perigos e os vencerá. Não aceitara, que as fraquezas de caráter dos mais fracos se imponham, utilizando o escudo das leis para submetê-lo”.

FIM

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